Mulher de 69 anos é absolvida em júri após acusação de mandar matar companheira do ex-marido em Santa Catarina
Uma mulher de 69 anos foi absolvida pelo tribunal do júri popular em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, após ser acusada de mandar matar a atual companheira do seu ex-marido. O caso, que envolveu um feitiço malsucedido realizado por uma cartomante, culminou em uma tentativa de assassinato em junho de 2019, mas a ré foi inocentada após um julgamento que se estendeu por quase 16 horas.
Detalhes do crime e do julgamento
O crime ocorreu na tarde do dia 3 de junho de 2019, no Centro de Chapecó. A vítima, que era a nova companheira do ex-marido da acusada, foi atingida por três tiros na cabeça, sobrevivendo, porém com sequelas permanentes. A investigação apontou que a acusada havia pago R$ 300 mil a uma cartomante para realizar um feitiço com o objetivo de reatar a relação com o ex-marido. Quando o feitiço não surtiu efeito, a situação escalou para violência extrema.
O júri popular aconteceu na sexta-feira, 27 de setembro, começando às 8h e terminando quase à meia-noite do sábado, 28 de setembro. A acusada optou por responder apenas às perguntas dos advogados de defesa e das juradas. O conselho de sentença, composto exclusivamente por sete juradas mulheres, decidiu pela absolvição, considerando um fato novo apresentado pela defesa como determinante.
Fato decisivo para a absolvição
Durante o plenário do júri, os advogados de defesa exibiram um vídeo em que a própria vítima afirmava que a acusada não teria sido a mandante do atentado. No registro, a vítima solicitou explicitamente que o conselho de sentença absolvesse a ré. Esse depoimento foi crucial para influenciar a decisão final, destacando a complexidade das evidências no caso.
Outros envolvidos já condenados
Enquanto a mulher de 69 anos foi absolvida, outros três indivíduos já haviam sido condenados em julgamentos anteriores relacionados ao mesmo crime:
- O atirador, de nacionalidade paraguaia, foi preso minutos após o crime, flagrado por câmeras de monitoramento enquanto fugia em uma motocicleta. Em 25 de novembro de 2021, ele foi condenado a 15 anos e oito meses de prisão em regime fechado.
- A cartomante foi condenada em maio de 2022 a quatro anos de reclusão por extorsão mediante ameaça de morte, após exigir mais R$ 800 mil da acusada para fugir da cidade, ameaçando a vida dela e de seu neto. Desse valor, R$ 90 mil em cheques chegaram a ser compensados.
- O marido da cartomante, que contratou o atirador para executar a vítima com a intenção de simular um latrocínio, foi condenado em maio de 2022 a 12 anos de prisão.
Contexto adicional e repercussões
Após a tentativa de assassinato, a acusada que agora foi absolvida ainda se tornou vítima de extorsão pela cartomante, que ameaçou matá-la e seu neto caso não pagasse a quantia exigida. O caso ilustra as intrincadas relações entre crime, superstições e justiça, levantando debates sobre a eficácia do sistema jurídico em situações tão incomuns.
O crime, que chocou a comunidade de Chapecó, continua a ser um exemplo marcante de como conflitos pessoais podem degenerar em violência grave, envolvendo múltiplas partes e resultando em condenações severas para alguns, enquanto outros são inocentados com base em novas evidências.



