MP de Minas ajuíza ação por regularização do atendimento médico em presídio superlotado de Varginha
MP cobra regularização de saúde em presídio superlotado de Varginha

MP de Minas ajuíza ação civil pública por regularização do atendimento médico em presídio superlotado de Varginha

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ajuizou uma ação civil pública cobrando do Estado de Minas Gerais e do município de Varginha a regularização do atendimento médico no Presídio de Varginha, localizado no sul do estado. Segundo o órgão ministerial, a unidade prisional enfrenta um grave quadro de superlotação, com 302 pessoas atualmente abrigadas, enquanto a capacidade oficial é de apenas 142 vagas, o que representa mais do que o dobro da lotação prevista.

Ausência de profissionais de saúde e assistência precária

A Promotoria de Justiça também aponta a ausência de profissionais de saúde com vínculo regular na unidade. De acordo com o Ministério Público, não há médicos, enfermeiros, técnicos ou auxiliares de enfermagem, nem dentista atuando de forma permanente no presídio, o que caracteriza, na avaliação do órgão, uma assistência precária e insuficiente à população prisional.

Ainda conforme as informações do MP, presos que fazem uso contínuo de medicamentos controlados ficam sem acompanhamento adequado, já que não há servidores habilitados para o controle, a distribuição e a administração desses remédios, colocando em risco a saúde e o bem-estar dos detentos.

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Prazos estabelecidos e medidas exigidas

Na ação, o Ministério Público estabeleceu um prazo de 72 horas para que o Estado e o município organizem uma reunião com o objetivo de definir medidas concretas e imediatas para a implementação da assistência à saúde no presídio. Além disso, foi concedido um prazo de 60 dias para que seja apresentado à Justiça um plano integral e detalhado de assistência à saúde da população carcerária, visando garantir um atendimento médico regular e de qualidade.

Resposta da Prefeitura de Varginha

Em nota oficial, a Prefeitura de Varginha informou que ainda não foi notificada oficialmente sobre a ação civil pública, mas destacou que já vem adotando medidas voltadas ao fortalecimento da assistência à saúde dessa população. Segundo o município, entre os dias 6 de fevereiro e 17 de março deste ano, foram realizadas reuniões com a diretoria do presídio para discutir soluções e melhorias para o atendimento médico.

A Prefeitura também informou que uma nova reunião está prevista para o dia 10 de abril, com o intuito de avançar nas negociações. Como desdobramento desses encontros, está em análise e em viabilização jurídica a criação de uma equipe de saúde prisional dedicada, além da implementação de atendimento por telemedicina para os detentos, buscando suprir as lacunas identificadas.

Secretaria de Estado não se manifesta

A reportagem procurou a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, responsável pela administração do sistema prisional no estado, para obter um posicionamento sobre o caso. No entanto, até a última atualização desta matéria, não houve retorno ou comentário por parte da secretaria, deixando em aberto as ações que serão tomadas pelo governo estadual para resolver a situação.

O caso destaca os desafios crônicos enfrentados pelo sistema prisional brasileiro, especialmente em relação à superlotação e à falta de infraestrutura adequada para a saúde dos presos, questões que têm sido alvo de constantes críticas e ações judiciais em diversas regiões do país.

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