Motorista recebe sentença de 52 anos por acidente que tirou a vida de quatro policiais em Goiás
O motorista envolvido no trágico acidente que resultou na morte de quatro policiais militares na BR-364, em Cachoeira Alta, região sudoeste de Goiás, foi condenado a 52 anos de prisão por homicídio. Jhonatan Murilo Leite conduzia a carreta que colidiu frontalmente com a viatura que transportava os PMs do Comando de Operações de Divisas (COD), sem possuir habilitação adequada para dirigir o veículo de carga.
Defesa do réu anuncia intenção de recorrer da decisão judicial
A defesa do motorista, representada pela advogada Jhoanne Barbosa, comunicou ao g1 que irá recorrer da condenação. Este anúncio ocorre após a primeira sessão plenária, realizada em dezembro de 2025, na qual Jhonatan havia sido absolvido pelo Conselho de Sentença. A estratégia processual adotada pelo Ministério Público e Poder Judiciário, que levou à dissolução do conselho, foi contestada pela defesa, que registrou formalmente a intenção de apelar.
Detalhes do acidente que chocou a região sudoeste do estado
O acidente ocorreu na noite de 24 de abril de 2024, enquanto os policiais se deslocavam durante uma missão de serviço. As vítimas foram identificadas como o subtenente Gleidson Rosalen Abib, o primeiro sargento Liziano José Ribeiro Junior, o terceiro sargento Anderson Kimberly Dourado de Queiroz e o cabo Diego Silva de Freitas. Segundo o inspetor Rodrigo Freitas, delegado da 5ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal de Jataí, que investigou o caso, a colisão aconteceu em uma rodovia de pista simples, em um trecho de subida para o caminhão, que transportava milho com destino ao estado de São Paulo.
Laudos periciais confirmam invasão de faixa e alta velocidade
A Polícia Científica concluiu, através de laudos técnicos, que o caminhoneiro invadiu a contramão e atingiu a viatura a uma velocidade estimada entre 110 e 120 km/h. O relatório também indicou que o motorista da viatura tentou, sem sucesso, desviar da carreta. Inicialmente, as investigações apontaram para Diego Michael Cardoso, que chegou a ser preso, mas um vídeo posterior revelou que Jhonatan era o condutor real. Ele confessou estar ao volante e admitiu utilizar uma Carteira Nacional de Habilitação (CNH) emprestada.
Ministério Público fundamenta acusação em dolo eventual
O Ministério Público de Goiás (MPGO), ao denunciar Jhonatan, argumentou que o motorista tinha ciência do risco de causar um acidente grave, mas agiu com indiferença. A acusação foi formalizada por homicídio com dolo eventual, além de inovação artificiosa em acidente de trânsito, referente à suposta adulteração das características do sinistro. A sentença reflete a gravidade do caso, que mobilizou a comunidade policial e gerou comoção pública na região.



