Motoboy tem prisão revogada após quase cinco meses detido por acusação de tráfico de drogas
A Justiça da cidade de Praia Grande, localizada no litoral de São Paulo, determinou a absolvição e a consequente soltura do motoboy Ígor Rodrigues da Silva, de 30 anos. O indivíduo estava preso há quase cinco meses, acusado de envolvimento com tráfico de entorpecentes, mas o magistrado responsável pelo caso entendeu que não havia provas suficientes para confirmar a autoria do crime.
Detenção durante refeição e abordagem policial
Ígor foi preso no mês de julho de 2025, após uma denúncia anônima que indicava a venda de drogas no bairro Sítio do Campo. Na ocasião, guardas municipais o abordaram enquanto ele se alimentava com um prato de miojo dentro de um veículo estacionado próximo a um portão. Os agentes relataram ter encontrado uma sacola preta contendo porções de cocaína e maconha, além de uma quantia em dinheiro, mas o motoboy negou veementemente qualquer relação com os entorpecentes.
Ele explicou aos policiais que estava no local para realizar a venda de uma bicicleta, justificando assim a posse de R$ 400 em espécie. No entanto, os guardas registraram a apreensão de R$ 965 e um estojo com odor característico de maconha, embora Ígor tenha insistido que esses itens não lhe pertenciam.
Fragilidade probatória e contradições nos depoimentos
O advogado de defesa, Renan Lourenço, apresentou ao juiz Fernando Cesar do Nascimento, da 1ª Vara Criminal, imagens de monitoramento que não mostravam o réu praticando atos de tráfico. As gravações exibiam, na verdade, outros dois indivíduos, com vestimentas distintas das usadas por Ígor, em comportamento compatível com a venda de drogas.
O magistrado destacou em sua decisão a existência de contradições relevantes nos depoimentos prestados pelos guardas municipais, o que fragilizou ainda mais a acusação. Baseando-se no princípio da presunção de inocência, o juiz concluiu que o conjunto de provas era insuficiente para sustentar uma condenação.
“Não se pode condenar uma pessoa baseando-se em conjecturas”, afirmou o juiz Fernando Cesar do Nascimento durante a análise do processo.
Defesa celebra absolvição e critica período de prisão
Em nota oficial, o advogado Renan Lourenço comemorou a absolvição, afirmando que ela reflete a inexistência de provas seguras quanto à autoria do crime. Ele ressaltou que a decisão judicial reconheceu a fragilidade no reconhecimento do acusado e a ausência de posse direta dos entorpecentes, elementos cruciais para uma condenação penal.
“A liberdade não pode ser sacrificada para suprir lacunas probatórias, especialmente em um caso marcado por longo período de prisão cautelar”, declarou o defensor, enfatizando a importância de se exigir certeza nas condenações criminais.
Soltura e relato do motoboy após quase cinco meses detido
Após a determinação judicial de soltura, emitida em dezembro, Ígor Rodrigues da Silva concedeu uma entrevista, expressando alívio e a intenção de aproveitar o tempo com sua família. Ele descreveu o período de quase cinco meses de detenção como revoltante e difícil, marcado pela incerteza sobre seu futuro.
“Foi um período de quatro meses e meio que [foi] revoltante, né? Sem saber o que estava acontecendo comigo. Fui abordado e algemado, difícil, né?”, relatou o motoboy após recuperar a liberdade.
O caso evidencia discussões sobre a efetividade das investigações policiais e a garantia de direitos fundamentais no sistema judiciário brasileiro, especialmente em situações onde a prisão preventiva se prolonga sem provas concretas.