Polícia Civil investiga morte de mulher durante procedimento estético em Montes Claros
A Polícia Civil de Montes Claros está conduzindo uma investigação detalhada sobre a morte de uma mulher de 42 anos durante uma mini lipoaspiração na região das costas. O caso, que ocorreu no dia 11 de dezembro de 2025, levou ao indiciamento da médica responsável pelo procedimento por homicídio doloso, conforme revelou a delegada Franciele Drummond em coletiva de imprensa.
Sequência de erros e escolhas arriscadas
De acordo com a delegada Franciele Drummond, a conduta da profissional médica foi caracterizada como uma sequência de erros e de escolhas arriscadas. Ela enfatizou que não se tratou de um simples erro médico ou fatalidade, mas de uma série de decisões temerárias que culminaram na tragédia. Não se tratou de um erro médico ou de uma fatalidade, foi uma sequência de erros e de escolhas arriscadas praticadas pela profissional, declarou Drummond.
O laudo de necropsia apontou que a vítima faleceu em decorrência de choque hemorrágico, causado pela perfuração da artéria femoral direita durante o procedimento. A delegada destacou que a médica envolvida não possuía habilitação específica para realizar a lipoaspiração, sendo recém-formada e apresentando apenas documentos de início de pós-graduações na área.
Falta de estrutura e improviso no socorro
A investigação policial revelou que o local onde o procedimento foi realizado não dispunha da estrutura necessária para emergências. Conforme a delegada, o consultório não possuía equipamentos básicos de suporte, como carrinho de parada, desfibrilador ou monitorização. Foi demonstrado também na investigação que houve um improviso na prestação do socorro, explicou Drummond.
Diante da falta de equipamentos, a médica recorreu a aparelhos de consultórios vizinhos em um ato de improvisação. Em seu depoimento, a profissional alegou que percebeu algo errado quando notou a paciente arroxeada, evoluindo para uma parada cardiorrespiratória que resultou em óbito.
Questão da anestesia e violação de normas
Outro ponto crítico levantado pela investigação foi a administração da anestesia. A delegada Franciele Drummond destacou que a própria médica aplicou o anestésico propofol na paciente, contrariando as recomendações do Conselho Federal de Medicina. O Conselho Federal de Medicina deixa bem claro que quando é administrado na vítima propofol ela tem que ser obrigatoriamente monitorizada em razão dos riscos que essa anestesia pode trazer, afirmou.
Ela ressaltou que não houve a presença de um anestesista habilitado para realizar a administração, aumentando os riscos do procedimento. A combinação de anestésicos utilizados, sem a devida monitorização, contribuiu para o desfecho fatal.
Indiciamento por homicídio com dolo eventual
A médica foi indiciada por homicídio com dolo eventual, conforme explicou a delegada. Embora ela não tenha desejado o resultado, assumiu o risco ao fazer escolhas temerárias, declarou Drummond. Por enquanto, a profissional responde ao processo em liberdade, aguardando as próximas etapas legais.
O advogado Warlem Freire Barbosa, que defende a médica, divulgou uma nota informando que discorda do indiciamento e que aguardará o posicionamento do Ministério Público para tomar as medidas pertinentes. A defesa argumenta que há nuances no caso que precisam ser consideradas.
Recomendações para procedimentos estéticos
Diante do ocorrido, a delegada Franciele Drummond aconselhou a população a redobrar os cuidados ao buscar procedimentos estéticos. Ela enfatizou a importância de verificar a qualificação do profissional e a estrutura oferecida pelo local, especialmente em casos de intercorrências. As pessoas que pretendem fazer procedimentos estéticos devem se atentar à qualificação do profissional e também à estrutura oferecida em casos de haver intercorrências, recomendou.
Este caso serve como um alerta sobre os riscos associados a intervenções estéticas realizadas em ambientes sem a devida infraestrutura e por profissionais sem a habilitação adequada. A investigação continua em andamento, com a Polícia Civil coletando mais evidências para embasar o processo judicial.



