Filha relata que mãe tinha apenas constipação antes de morrer no Hospital Anchieta
Mãe com constipação morre após aplicação irregular no Hospital Anchieta

Filha detalha quadro de saúde da mãe antes de morte no Hospital Anchieta

Kássia Leão, filha da professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, revelou em entrevista à TV Globo, nesta quarta-feira (21), que sua mãe tinha apenas um quadro simples de constipação quando procurou o Hospital Anchieta, em Brasília. Miranilde é uma das três vítimas do técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, que está sendo investigado pela Polícia Civil por aplicar medicamentos de forma irregular, causando paradas cardíacas nos pacientes.

Exames não apontavam alterações graves

Segundo Kássia Leão, a mãe se sentia inchada e com incômodo na barriga, mas os exames realizados no hospital não mostraram nenhuma alteração significativa. "Nenhuma alteração no exame de sangue, nenhuma alteração na tomografia. Nada além disso, uma constipação. Ela ia ser medicada e voltava para casa", afirmou a filha. Miranilde decidiu ir ao Hospital Anchieta porque confiava na unidade de saúde.

No entanto, durante a internação, a paciente sofreu uma queda e ficou ansiosa, o que levou a médica a pedir que ela ficasse na UTI para observação. Kássia relata que, no dia 11 de janeiro, a mãe estava "ótima, muito bem", mas começou a apresentar uma piora súbita que causou estranhamento entre os familiares. Miranilde faleceu no dia 17 de janeiro, após uma série de complicações.

Investigação aponta aplicação irregular de medicamentos

De acordo com as investigações da Polícia Civil, a piora súbita de Miranilde ocorreu porque ela teria recebido quatro aplicações de um medicamento de forma irregular por Marcos Vinícius. Após cada dose, a paciente apresentou parada cardíaca e foi submetida a manobras de reanimação. Como ela não morreu nessas ocasiões, o inquérito indica que o técnico de enfermagem aplicou mais de dez doses de um desinfetante, retirado de um frasco que ficava na própria UTI.

Marcos Vinícius, preso em janeiro, inicialmente negou envolvimento, mas confessou os crimes após ser confrontado com imagens das câmeras de segurança do hospital. Ele é acusado de injetar doses altas de um medicamento nos pacientes, usando o produto como um veneno, e em uma das vítimas, também teria injetado desinfetante na veia.

Outras técnicas também foram presas

Além de Marcos Vinícius, outras duas técnicas de enfermagem, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, foram presas por envolvimento nos crimes. Elas são acusadas de dar cobertura ao técnico durante as ações. A Polícia Civil informou que Marcos trabalhava há cinco anos na área, e após a abertura da investigação interna, o Hospital Anchieta demitiu os três suspeitos.

<3>Contexto do caso e reações

O caso chocou a comunidade e levantou questões sobre a segurança em unidades de saúde. A filha da vítima, Kássia Leão, expressou sua dor e incredulidade ao ver a mãe, que tinha um problema de saúde menor, morrer em circunstâncias tão trágicas. A investigação continua para apurar todos os detalhes e responsabilidades, enquanto a família busca justiça pela perda de Miranilde.

Este incidente destaca a importância de protocolos rigorosos em hospitais e a necessidade de supervisão constante para prevenir abusos. As autoridades seguem trabalhando para garantir que casos como este não se repitam, e a sociedade aguarda o desfecho legal para as vítimas e seus familiares.