Médico cardiologista é preso preventivamente por suspeita de crimes sexuais contra pacientes em Taquara
Um médico cardiologista de 55 anos foi preso preventivamente nesta segunda-feira, dia 30, em Taquara, município com aproximadamente 53 mil habitantes localizado na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A prisão ocorreu no próprio consultório do profissional, que é investigado por suspeita de importunação sexual e violação sexual mediante fraude contra pacientes.
Identificação do acusado e posição da defesa
O médico identificado pela polícia é Daniel Pereira Kollet, cardiologista com quase três décadas de atuação na área da saúde. O advogado Rômulo Campana, representante legal do profissional, informou que ainda não teve acesso completo ao inquérito policial, mas já apresentou a primeira linha de defesa.
A defesa alega que se trata de um médico com conduta ilibada durante toda sua carreira, cuja atuação profissional sempre foi pautada pela ética médica, responsabilidade e compromisso inabalável com a saúde de seus pacientes. O escritório jurídico afirma que aguardará o andamento processual para apresentar contra-argumentos mais detalhados.
Detalhes das acusações e número de vítimas
De acordo com o delegado Valeriano Garcia Neto, responsável pelas investigações, o número de supostas vítimas já chega a quase 20 mulheres. Entre as alegadas vítimas está uma adolescente que tinha apenas 16 anos na época dos fatos relatados.
O delegado descreve que, segundo os depoimentos coletados, o médico "abraçava, beijava e acariciava as pacientes enquanto elas estavam sem roupas durante a consulta médica, sem o consentimento das mesmas". As vítimas, conforme o relato policial, ficavam em estado de choque e sem reação diante dos atos inesperados.
Explicação sobre o crime de violação sexual mediante fraude
A violação sexual mediante fraude, conforme definição legal aplicada ao caso, consiste em ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém mediante fraude ou qualquer outro meio que impeça ou dificulte significativamente a livre manifestação de vontade da vítima. No contexto médico-paciente, a relação de confiança e a posição de autoridade do profissional são consideradas elementos que podem configurar essa dificuldade na manifestação de vontade.
Versão do médico e padrão de comportamento
Durante a prisão, em conversa informal com os policiais, o médico teria admitido que abraçava as pacientes, mas com a "intenção de demonstrar carinho e oferecer orientações espirituais", conforme relatou o delegado. A defesa, no entanto, nega veementemente qualquer conduta inadequada por parte do profissional.
As investigações indicam que Kollet agiria desta forma há pelo menos dois anos, estabelecendo um padrão de comportamento que incluía pedidos de segredo às pacientes ao final das consultas. A polícia suspeita que o médico aproveitasse a relação de confiança inerente ao atendimento médico para praticar os atos sem consentimento.
Investigações em andamento e canal para denúncias
A Polícia Civil continua investigando ativamente o caso e busca identificar outras possíveis vítimas que ainda não tenham se manifestado. As autoridades acreditam que o número de mulheres afetadas possa ser maior do que o inicialmente identificado.
Para facilitar novas denúncias, a polícia disponibilizou um canal específico: denúncias anônimas podem ser feitas pelo telefone (51) 98443-3481. A expectativa é que mais mulheres se sintam encorajadas a relatar experiências similares, contribuindo para o esclarecimento completo dos fatos.
O caso segue sob investigação da Delegacia de Polícia de Taquara, que deve apresentar novas informações conforme o inquérito avance. A prisão preventiva foi decretada pela Justiça considerando a gravidade das acusações, o risco à ordem pública e a possibilidade de o investigado interferir nas provas ou nas testemunhas.



