Cardiologista preso no RS: 28 vítimas relatam abusos sexuais durante consultas médicas
Médico preso por suspeita de abuso sexual contra 28 pacientes no RS

Cardiologista é preso preventivamente por suspeita de crimes sexuais contra pacientes no Rio Grande do Sul

O cardiologista Daniel Pereira Kollet foi preso preventivamente nesta quarta-feira (1º) em Taquara, na Região Metropolitana de Porto Alegre, suspeito de cometer crimes sexuais contra pacientes durante consultas médicas. Até o momento, a Polícia Civil já identificou 28 possíveis vítimas que prestaram depoimento sobre os supostos abusos.

Denúncia anônima revela caso em Porto Alegre e amplia investigação

Uma denúncia anônima recente trouxe à tona um caso que teria ocorrido em um hospital da capital gaúcha, expandindo o alcance das investigações. A vítima, que preferiu não se identificar, relatou ao g1 que o abuso aconteceu durante a realização de um exame de ecocardiografia transtorácica.

"Quando sentei na maca, ele me abraçou e disse que, além de linda, eu era cheirosa. Nesse momento, encostou sua parte íntima na minha perna", descreveu a paciente. "Ressalto que eu estava despida na parte superior do corpo, como é necessário para a realização desse exame, o que aumentou ainda mais minha vulnerabilidade. Eu não reagi durante a situação por medo, surpresa e pela posição de vulnerabilidade em que me encontrava."

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O delegado Valeriano Garcia Neto, responsável pelo caso, afirmou que "ficou claro a intenção dessa vítima de nos alertar o caso em Porto Alegre também. Ele trabalhava em outros hospitais também", indicando que o médico atuava em múltiplas localidades.

Comportamento inadequado e pedidos de sigilo

As vítimas descrevem um padrão de comportamento onde o cardiologista progressivamente as deixava desconfortáveis durante as consultas. Uma das pacientes relatou que o médico "iniciou conversas de cunho pessoal, perguntando se eu era casada, se tinha filhos e por que eu ainda estava solteira", além de fazer comentários sobre sua aparência e convidá-la para tomar café.

"Ao final do exame, ele pegou papel toalha para retirar o gel do meu corpo. Eu disse que poderia fazer isso sozinha, mas, mesmo assim, ele passou a me limpar", contou a vítima. Segundo seu relato, o médico teria percebido seu constrangimento e feito um pedido específico: "que eu não comentasse nada com ninguém".

Número de vítimas dobra e revela abusos sistemáticos

O número de possíveis vítimas identificadas pela polícia dobrou desde a manhã desta quarta-feira, chegando a 28 mulheres que já registraram ocorrência e prestaram depoimento. Conforme as investigações, o cardiologista agiria desta forma há pelo menos dois anos, sempre pedindo segredo às pacientes ao final das consultas.

Os crimes investigados incluem:

  • Importunação sexual
  • Violação sexual mediante fraude
  • Estupro
  • Estupro de vulnerável

Caso grave revela possível dopagem de paciente

Uma das situações mais graves relatadas à polícia envolve uma paciente que teria sido dopada pelo médico. Segundo o delegado Valeriano, "ele mandava voltar na clínica. Ele dopava a vítima e praticava estupros reiterados de forma sistemática. A vítima andava dopada, se arrastando. Ela está vulnerável, então configura estupro de vulnerável".

A mulher só percebeu que havia algo errado quando levou uma familiar junto na consulta. "Nesse dia, ele não encostou um dedo nela", relatou o delegado. Ao buscar outro profissional, descobriu que não tinha problema de saúde e não precisava tomar a medicação controlada que Kollet havia prescrito.

Defesa do médico nega todas as acusações

O advogado Rômulo Campana, do escritório que representa o médico, emitiu nota negando todas as suspeitas: "Trata-se de médico há quase 30 anos, com conduta ilibada, cuja atuação profissional sempre foi pautada pela ética, responsabilidade e compromisso com a saúde de seus pacientes". A defesa afirmou ainda que ainda não teve acesso integral ao inquérito e que emitirá nota oficial após análise completa dos autos.

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Cremers toma medidas administrativas

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) divulgou nota informando que "tomou conhecimento dos fatos, e medidas administrativas já foram tomadas para investigação do caso". O conselho destacou que "a situação é grave e deve ser apurada com rigor" e que, se comprovada a denúncia, "todas as ações necessárias serão tomadas para punir os responsáveis".

Daniel Pereira Kollet foi encaminhado para o Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), centro de triagem de presos na capital. Denúncias podem ser feitas pelo telefone (51) 98443-3481.