Cardiologista é preso no RS por suspeita de dopar e estuprar pacientes; 42 vítimas
Médico preso no RS por suspeita de crimes sexuais contra 42 pacientes

Cardiologista é preso no RS por suspeita de dopar e estuprar pacientes; polícia identifica 42 vítimas

O cardiologista Daniel Pereira Kollet, de 55 anos, foi preso preventivamente dentro do próprio consultório em Taquara, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Ele foi indiciado pela Polícia Civil por violência sexual mediante fraude, com o número de possíveis vítimas chegando a 42, conforme atualização da manhã desta segunda-feira (13).

Detalhes dos crimes e investigação

De acordo com o delegado Valeriano Garcia Neto, três inquéritos foram concluídos e remetidos à Justiça. A violação sexual mediante fraude, conforme definição legal, consiste em ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima.

A polícia apura ainda os possíveis crimes de importunação sexual, estupro e estupro de vulnerável. As vítimas são mulheres, a maioria pacientes, que já registraram ocorrência e prestaram depoimento.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Relatos das vítimas

Uma paciente relatou à RBS TV que na segunda consulta estranhou quando não recebeu nenhum lençol para cobrir o corpo durante a realização de exames. "Ele chegava, apagava a luz. E daí me abraçou fortemente, apertando a parte dele de baixo bem em frente a mim. Ele tentou me beijar. Ele tentou abrir as minhas calças", relembra.

Outra paciente, de 75 anos, conta que passou a ir aos atendimentos acompanhada para evitar as importunações: "Era muito de abraçar e beijar. Aí eu pensei, eu não vou mais sozinha. A minha nora entrou e daí ele ficou sentado atrás da mesinha dele, nem levantou, nem veio me abraçar, nem veio me beijar".

Uma enfermeira que fazia plantões com Kollet disse que teve o quarto de descanso invadido pelo médico: "Ele tentava me beijar e eu tentava tirar. Ele pegava com força a minha mão e enfiava minha mão dentro da calça. Eu chegava a sair com os pulsos vermelhos".

Procedimentos policiais e apreensões

Na quarta-feira (8), agentes fizeram buscas em endereços ligados a Kollet. Foram apreendidos pendrives, telefones e computadores. O próximo passo será analisar o conteúdo do material recolhido. Denúncias anônimas podem ser feitas no telefone (51) 98443-3481.

Posicionamento do Cremers

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) informou que abriu uma sindicância para apurar o caso. Se comprovados os fatos, ao final do procedimento, o médico pode ter o registro cassado.

Defesa do médico

O advogado Ademir Campana, que representa Kollet, sustenta que já foi protocolado pedido de liberdade do cardiologista e afirma "que seu cliente mantém a negativa quanto às imputações que lhe são atribuídas".

Em nota, a defesa registra que passou a ter acesso integral aos inquéritos policiais e que, em avaliação inicial, verificou que a grande maioria dos fatos mencionados refere-se a relatos antigos, remontando a anos atrás, bem como que há menções envolvendo pessoas que, em princípio, sequer eram pacientes do profissional investigado.

Próximos passos

Agora, o Ministério Público (MP) vai analisar os inquéritos. A defesa esclarece que não irá se manifestar, neste momento, sobre situações específicas ou casos individualizados, em razão do sigilo que envolve os procedimentos, bem como para preservar a adequada condução da apuração e o próprio exercício do direito de defesa.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar