Operação Narco Fluxo: PF prende funkeiros e influenciadores em esquema bilionário
Uma megaoperação da Polícia Federal (PF) realizada nesta terça-feira (15) resultou na prisão de importantes nomes do funk e do universo digital, acusados de participação em um esquema suspeito de lavagem de dinheiro e transações ilegais que superam a marca de R$ 1,6 bilhão. A operação, batizada de Narco Fluxo, mobilizou mais de 200 policiais federais e cumpriu dezenas de mandados judiciais em diversos estados do país.
Principais alvos da investigação
Entre os detidos estão os funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além dos influenciadores digitais Chrys Dias e Raphael Souza, este último apontado como responsável pela página Choquei, uma das maiores de entretenimento nas redes sociais. A Justiça determinou ainda o bloqueio de contas, sequestro de bens e restrições societárias como parte das medidas cautelares.
Segundo a Polícia Federal, a investigação revela a atuação de uma organização criminosa estruturada, que utilizava empresas de fachada, transporte de dinheiro em espécie, criptoativos e bens de alto valor para ocultar a origem de recursos ilícitos. A estrutura operacional abrangia múltiplos estados, com ramificações que facilitavam a movimentação financeira em larga escala.
Detalhes das prisões e apreensões
MC Ryan SP foi preso na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista. O artista, um dos mais ouvidos do país nos últimos anos, já havia se envolvido em diversas polêmicas, incluindo episódios de agressão, danos ao patrimônio público e ostentação de carros de luxo. Durante a operação, a PF apreendeu veículos de alto padrão, armas, joias e objetos de valor ligados ao cantor, como um colar com a imagem de Pablo Escobar e carros esportivos que podem ter sido usados para ocultação de patrimônio.
A defesa de MC Ryan SP afirmou que recebeu com surpresa a prisão do cantor, negando qualquer envolvimento com organização criminosa ou esquema de lavagem de dinheiro, e informou que os advogados ainda analisam o teor da investigação.
MC Poze do Rodo, um dos principais nomes do funk carioca, foi detido na capital fluminense. Criado no Complexo do Rodo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, o cantor construiu carreira com músicas que retratam a vida nas periferias e a ascensão social. Poze já vinha sendo alvo de investigações sobre a origem de bens exibidos nas redes sociais, como joias, carros de luxo e imóveis, e agora integra o mesmo inquérito que apura lavagem de dinheiro em larga escala.
O influenciador Chrys Dias, com mais de 14 milhões de seguidores, foi preso em Itupeva, interior paulista. Natural do Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo, ele ficou conhecido nas redes por ostentação, proximidade com artistas do funk — especialmente MC Ryan SP — e pela promoção de rifas e sorteios online de bens de alto valor. A PF investiga se a estrutura usada para divulgar esses sorteios foi utilizada na movimentação e lavagem de recursos ilícitos.
Em sua casa, a polícia encontrou um carro rosa e uma réplica de um carro de Fórmula-1 semelhante ao usado pelo piloto Ayrton Senna, itens que podem estar relacionados ao esquema.
Raphael Souza, responsável pela página Choquei, também foi alvo da operação, com mandado cumprido em Goiânia. Ele é investigado por suspeita de participação no esquema de transações ilegais e lavagem de dinheiro, que teria ramificações em diversos estados.
Alcance geográfico da operação
As ações da Polícia Federal ocorreram em ao menos 20 cidades, distribuídas por sete estados e o Distrito Federal. A Justiça decretou mais de 90 mandados, quase 40 deles só de prisão e os demais de busca e apreensão em imóveis dos investigados.
- São Paulo: capital, Itupeva, Santos, Igaratá, Guarujá, São Sebastião, Praia Grande, Jundiaí, São Bernardo do Campo, Mogi das Cruzes, Campinas, Bragança Paulista e Bauru.
- Rio de Janeiro: capital e Cachoeira do Macacu.
- Paraná: Candói e Sarandi.
- Santa Catarina: Brusque e Cocal do Sul.
- Espírito Santo: Serra e Vitória.
- Outros estados: Brasília (DF), Goiânia (GO), Recife (PE) e Bacabal (MA).
Esquema bilionário e próximos passos
Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa investigada teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão ao longo dos últimos anos. Os investigados poderão responder por crimes como lavagem de dinheiro, associação criminosa e evasão de divisas. As investigações continuam em andamento, e a PF não descarta novas fases da operação.
As defesas de MC Poze do Rodo, de Chrys Dias e de Raphael Souza não haviam se manifestado até a última atualização desta reportagem, enquanto a situação jurídica dos envolvidos segue sob análise das autoridades competentes.



