MC Poze do Rodo é preso pela PF em operação contra organização criminosa
O funkeiro MC Poze do Rodo foi preso na manhã desta quarta-feira (15) pela Polícia Federal em sua residência, localizada em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. A detenção ocorreu no âmbito da Operação Narcofluxo, que investiga uma organização criminosa acusada de lavagem de dinheiro e realização de transações ilegais superiores a R$ 1,6 bilhão.
Silêncio na sede da PF e defesa em busca de informações
Após a prisão, o artista permaneceu em silêncio na sede da Polícia Federal. Segundo seu advogado, Fernando Henrique Cardoso Azeredo, a defesa ainda não teve acesso ao teor específico das acusações que motivaram a detenção. "Pelo que entendi, é uma investigação da Polícia Federal de São Paulo junto à Justiça Federal de São Paulo. Os agentes daqui também não sabem do que se trata, já que apenas cumpriram mandados", destacou o defensor.
O advogado afirmou que o cantor foi surpreendido pela prisão e nega qualquer irregularidade. A defesa informou que pretende acessar os autos do processo para compreender as circunstâncias do caso e prestar esclarecimentos à Justiça. Fernando Henrique também declarou que deve entrar com um pedido de habeas corpus para que o artista responda à investigação em liberdade.
Encaminhamento para audiência de custódia
A expectativa, segundo o advogado, é de que MC Poze seja encaminhado ao Complexo de Benfica, onde passará por audiência de custódia. A possibilidade de transferência para São Paulo, neste momento, é considerada improvável pela defesa. Esta é a terceira vez que o funkeiro vai para a cadeia:
- Em 2023, foi preso pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil do RJ por apologia ao crime e envolvimento com tráfico de drogas
- Em 2019, foi detido em flagrante após um show em Sorriso, Mato Grosso, onde menores consumiam bebidas alcoólicas e drogas
Operação Narcofluxo atinge múltiplos estados
A Operação Narcofluxo mobilizou cerca de 200 policiais federais para cumprir 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão expedidos pela 5ª Vara Federal em Santos (SP). As diligências ocorreram em endereços nos estados de:
- São Paulo
- Rio de Janeiro
- Pernambuco
- Espírito Santo
- Maranhão
- Santa Catarina
- Paraná
- Goiás
- Distrito Federal
Segundo a PF, os envolvidos usavam um sistema sofisticado para ocultar e dissimular valores, incluindo operações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos. Também foi determinado o sequestro de bens, e os investigados poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Outras prisões e histórico do caso
Além de MC Poze do Rodo, a operação resultou na prisão de MC Ryan SP em Bertioga, no litoral paulista. A PF tentava cumprir outros dois mandados de prisão no Rio de Janeiro. Durante as ações, foram apreendidos veículos, valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos que subsidiarão o aprofundamento das investigações.
No caso anterior de 2023, a Polícia Civil do RJ afirmou que Poze realizava shows exclusivamente em áreas dominadas pelo Comando Vermelho (CV), com a presença ostensiva de traficantes armados. A delegacia destacou que o repertório do artista "faz clara apologia ao tráfico de drogas e ao uso ilegal de armas de fogo" e "incita confrontos armados entre facções rivais". Na ocasião, ele foi solto em 3 de junho após a Justiça conceder um habeas corpus.
A defesa de MC Poze do Rodo aguarda agora o acesso completo aos autos do processo para elaborar sua estratégia jurídica, enquanto o artista permanece sob custódia das autoridades federais.



