Explosão da metanfetamina no Brasil: produção nacional barateia droga e preocupa autoridades
Matanfetamina brasileira: produção nacional barateia droga ilícita

Produção nacional de metanfetamina transforma cenário do tráfico no Brasil

Nos últimos três anos, o Brasil testemunhou uma transformação radical no mercado de drogas ilícitas: a metanfetamina, antes praticamente inexistente e restrita a círculos abastados, começou a ser produzida em laboratórios clandestinos em território nacional. Essa "nacionalização" da droga sintética reduziu drasticamente seu preço, de R$500 para apenas R$30 por grama, tornando-a acessível a um público muito mais amplo.

Operação Heisenberg: desmantelando o Breaking Bad brasileiro

A produção nacional foi descoberta quase por acaso no final de 2024, quando a Polícia Civil de São Paulo investigava um grupo de chineses suspeitos de tráfico humano no bairro da Aclimação. A operação, batizada de "Heisenberg" em referência à série americana Breaking Bad, revelou um complexo esquema internacional envolvendo mexicanos, chineses, nigerianos, dominicanos e portugueses.

Desde 2022, o volume de metanfetamina apreendido em São Paulo aumentou impressionantes 38 vezes, chegando a quase 4 quilos em 2025. Embora esse número possa parecer pequeno comparado às apreensões de maconha e cocaína, a metanfetamina apresenta características únicas que a tornam especialmente perigosa.

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O perigo dos "cristais": efeitos devastadores à saúde

A metanfetamina, apelidada de "cristal" por sua aparência vítrea, pertence à família das anfetaminas e produz efeitos prolongados no organismo humano. Um único grama permanece ativo no corpo por dez a treze horas, sendo suficiente para uma noite inteira de uso.

"Nas apreensões, tem-se observado a mistura de substâncias diferentes na droga. Como a produção é toda clandestina, não dá para saber exatamente o que a pessoa está consumindo e nem como o corpo vai reagir", explica Gabriela de Paula Meirelles, pesquisadora em ciências farmacêuticas da Universidade de São Paulo.

Os efeitos podem incluir:

  • Lesões cerebrais irreversíveis
  • Hipertensão arterial severa
  • Arritmias cardíacas
  • Colapso cardiovascular
  • Morte súbita

A estrutura do crime organizado internacional

A investigação revelou uma rede bem estruturada com divisões por nacionalidade. Zheng Xiao Yun, que usa o nome brasileiro Marcos Zheng, foi identificado como líder do núcleo chinês, enquanto o mexicano Guillermo Fabian Martinez Ortiz, apelidado de "Cozinheiro", era o detentor da fórmula original da metanfetamina.

"Uma coisa é pegar alguém com um 'baseado'. Agora, uma pedrinha que parece vidro no bolso, como dar flagrante? E se não for nada?", questionou um policial civil sob condição de anonimato, destacando as dificuldades operacionais que a droga apresenta.

Os traficantes atuavam em diversos pontos de São Paulo:

  1. Apartamento na Aclimação (matriz da operação)
  2. Centro da capital paulista
  3. Avenida do Estado
  4. Avenida São João

Consequências judiciais e preocupações futuras

Cerca de cinquenta pessoas foram presas durante as operações policiais. Zheng recebeu condenação de quatro anos e quatro meses por tráfico, enquanto Pikang Dong, conhecido como "Rodízio", foi sentenciado a nove anos de detenção. Ortiz, capturado em janeiro, recebeu pena de dez anos e dez meses por tráfico e estelionato.

A metanfetamina tem sido associada a outros crimes graves, particularmente quando misturada com substâncias anestésicas como ketamina e GHB. Essa combinação é frequentemente utilizada para facilitar estupros, deixando as vítimas em estado de vulnerabilidade extrema.

A produção nacional da droga representa um verdadeiro pesadelo para a saúde pública brasileira. Com o barateamento do produto e a facilidade de ocultação (os "cristais" são pequenos e discretos), as autoridades temem uma proliferação acelerada do consumo, exigindo ações coordenadas e eficazes para conter essa nova frente do crime organizado.

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