Parentes fazem limpeza em mercado da família Aguiar após 75 dias de desaparecimento no RS
Limpeza em mercado da família Aguiar após 75 dias de sumiço

Parentes fazem limpeza em mercado da família Aguiar após 75 dias de desaparecimento no RS

Familiares de Silvana Germann de Aguiar, Isail Vieira de Aguiar e Dalmira Germann de Aguiar, desaparecidos há 75 dias, tiveram acesso ao minimercado e às casas da família nesta semana, após autorização judicial. A ação, acompanhada por agentes da Polícia Civil na última terça-feira (7), revelou um cenário de abandono com alimentos podres, ratos e baratas infestando o local.

Autorização judicial para limpeza

"A magistrada da Vara de Família deferiu a entrega das chaves da casa da Silvana e do mercado Aguiar para junto com familiares retirar eletrodomésticos das tomadas, retirar perecíveis e produtos já apodrecidos e apodrecendo como verduras, ovos, etc", explicou o advogado Gilmar Souza de Vargas. As chaves já foram devolvidas ao Judiciário após a limpeza.

As casas e o estabelecimento comercial estavam fechados desde o final de janeiro, quando ocorreram os desaparecimentos. O único que tinha acesso à casa de Silvana era o policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-marido da mulher e principal suspeito do caso. Ele está preso desde 10 de fevereiro.

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Desaparecimento misterioso

No dia 24 de janeiro, Silvana sumiu. Um dia depois, em 25 de janeiro, os pais dela foram vistos pela última vez. Desde então, o caso segue cercado de mistérios na cidade de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Investigadores veem como remotas as chances de encontrar Silvana e os pais com vida, tratando o crime como feminicídio (Silvana) e duplo homicídio (os idosos).

Buscas já foram realizadas em Cachoeirinha e cidades vizinhas, mas os corpos não foram localizados. O inquérito da Polícia Civil está na fase final e deve ser concluído ainda em abril.

Motivações do crime

A polícia acredita que a ação do PM teria sido motivada por desavenças com a ex-esposa em relação à criação do filho do casal. Duas semanas antes do desaparecimento, Silvana procurou o Conselho Tutelar para relatar que o pai não seguia suas orientações nos cuidados com o menino, que teria restrições alimentares.

"A gente tem já na investigação formalizada que a motivação passa pela questão da tensão existente entre o suspeito e a Silvana com relação à educação do filho", afirmou o delegado Anderson Spier.

Outra possível motivação seria financeira. De acordo com o delegado, a família Aguiar possuía bens imobiliários, incluindo casas e apartamentos de aluguel. "E a gente sabe que em caso da morte da Silvana e dos pais dela, todos esses bens, numa sucessão, posteriormente, viriam a se tornar propriedade do neto", destacou Spier.

Novos investigados

No final de março, três pessoas ligadas ao policial militar passaram à condição de suspeitas por atrapalharem as investigações. Uma parente de Cristiano é investigada por apagar dados em dispositivos eletrônicos e na nuvem, sendo suspeita de fraude processual.

Um familiar do PM teria deletado imagens de câmeras da casa onde mora a mãe de Cristiano, também sendo suspeito de fraude processual. Uma terceira pessoa próxima do PM é investigada por falso testemunho, por ter mentido em depoimento para dar falsos álibis ao principal suspeito.

Linha do tempo do caso

Antes do desaparecimento:

  • 2 de janeiro: Silvana solicita contato do Conselho Tutelar
  • 9 de janeiro: Silvana registra no Conselho Tutelar que ex-marido desrespeitava restrições alimentares do filho

Fim de semana dos desaparecimentos:

  • 24 de janeiro: Silvana é vista pela última vez. Publicação falsa em redes sociais sobre acidente em Gramado
  • 25 de janeiro: Pais de Silvana saem para procurá-la e visitam ex-genro Cristiano. São vistos pela última vez entrando em carro não identificado

Investigações e prisão:

  • 10 de fevereiro: Cristiano Domingues Francisco é preso temporariamente
  • 7 de abril: Familiares realizam limpeza no mercado Aguiar após autorização judicial

O advogado de Cristiano, Jeverson Barcellos, diz que segue atuando no caso e acompanhando o cliente, aguardando a conclusão do inquérito policial para se manifestar. O PM prestou depoimento em 6 de abril, mantendo-se em silêncio durante as 2h30 de oitiva.

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