Líder do Santo Daime pode pegar até nove anos por abuso sexual de seguidoras
Líder do Santo Daime pode pegar nove anos por abuso sexual

O Ministério Público do Rio de Janeiro solicitou formalmente a condenação de Paulo Roberto Silva e Souza, fundador da Igreja Céu do Mar, localizada em São Conrado. O líder religioso, que também atua como psicólogo, está acusado de violação sexual mediante fraude contra sua ex-assistente, a advogada Jéssica Nascimento de Souza.

Promotoria pede pena de três a nove anos de reclusão

Em parecer assinado pela promotora Flávia Abido Alves, a acusação considera comprovadas a materialidade e a autoria do crime durante audiência realizada em janeiro deste ano. A pena solicitada varia de três a nove anos de reclusão, com agravantes devido à posição hierárquica do réu e à relação de trabalho mantida com a vítima.

Abusos ocorreram em contexto de práticas terapêuticas

De acordo com a denúncia, os abusos sexuais ocorreram no contexto de supostas práticas terapêuticas e espirituais conduzidas por Paulo Roberto. A vítima, que buscava na congregação religiosa amparo para depressão, passou a sofrer manipulação psicológica e investidas sexuais durante sessões individuais.

O caso inclui ainda o uso de substâncias psicoativas fornecidas pelo próprio líder religioso durante essas sessões. A promotoria destaca que a relação de poder espiritual e laboral impossibilitava qualquer consentimento livre por parte de Jéssica.

Casos não são isolados: outras seis mulheres relatam abusos

A acusação ressalta que este não é um caso isolado. Pelo menos outras seis mulheres relataram ter sofrido abusos semelhantes pelo religioso, algumas durante as chamadas “terapias de cura” ou “terapias bioenergéticas”.

Uma carta aberta de uma americana, publicada em dezembro de 2025, descreve violação e humilhação, mencionando ainda um e-mail em que o acusado pedia perdão por “desvios” atribuídos a influências espirituais.

Registro no Conselho Regional de Psicologia

No Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro, há registro formal de denúncia contra o profissional. O pedido do Ministério Público argumenta que houve abuso de confiança e autoridade, com práticas reiteradas e fraudulentas por parte do líder religioso.

Defesa tenta suprimir provas do processo

A defesa de Paulo Roberto Silva e Souza tentou suprimir uma das provas apresentadas no processo, sob a alegação de que teria sido incluída após o prazo legal estabelecido. A estratégia da defesa busca questionar a regularidade processual, mas a promotoria mantém seu pedido de condenação baseado nas demais evidências coletadas.

O caso segue em tramitação na Justiça do Rio de Janeiro, com expectativa de julgamento nas próximas semanas. As vítimas aguardam por uma decisão que possa trazer justiça para os crimes sofridos no ambiente que deveria oferecer proteção espiritual e emocional.