Justiça avança em caso de irmãs acusadas de quatro homicídios por envenenamento
A Vara do Júri de Guarulhos, na Grande São Paulo, determinou o envio de um ofício urgente ao Instituto de Criminalística do Estado do Rio de Janeiro. O objetivo é obter laudos periciais sobre a vítima Neil Corrêa da Silva, de 65 anos, que podem ser cruciais para o processo contra as irmãs Ana Paula e Roberta Cristina Veloso Fernandes, acusadas de quatro homicídios por envenenamento.
Laudos são essenciais para audiência de instrução marcada para maio
Os documentos solicitados incluem laudos da exumação e do exame necroscópico de Neil Corrêa da Silva. Eles devem instruir a audiência de instrução designada para o dia 25 de maio de 2026. A decisão judicial enfatiza a urgência na obtenção desses laudos, que foram requeridos pela Polícia Civil de São Paulo.
O magistrado destacou em seu despacho: "A fim de que sejam fornecidos os laudos requeridos pela D. Autoridade Policial de São Paulo, relativos à vítima Neil Corrêa da Silva, abaixo qualificada, inclusive laudos da exumação e de exame necroscópico, com urgência, pois instruirão a audiência de instrução."
Detalhes do caso envolvendo a vítima Neil Corrêa da Silva
As investigações apontam que Ana Paula teria sido contratada por Michele Paiva da Silva, de 42 anos, para assassinar Neil Corrêa da Silva. O veneno teria sido colocado em uma feijoada, e o valor negociado para o crime seria de 4.000 reais. Este é um dos quatro homicídios atribuídos às irmãs.
O juiz do caso já havia citado, em outubro do ano passado, evidências preocupantes: "A investigada inventou ter recebido um bolo envenenado; imputou falsamente a prática de um dos homicídios a seu antigo amante, envolvendo sua esposa no episódio do envenenamento; enviava mensagens ameaçadoras para si própria; manipulou dados, informações, declarações e outros elementos com o objetivo de se desvincular das mortes."
Durante uma busca e apreensão na residência de uma das acusadas, foi encontrado 'chumbinho', um tipo de veneno.
Audiência de instrução será realizada no formato híbrido
A audiência de instrução está programada para ocorrer no final de maio de 2026 e será realizada no formato híbrido. Essa decisão se deve ao fato de que muitas testemunhas moram fora da Grande São Paulo. Por exemplo, familiares de uma das vítimas estão atualmente na Tunísia.
Sequência dos crimes detalhada pelo Ministério Público
Segundo a denúncia do Ministério Público, os crimes ocorreram em uma sequência específica:
- Em janeiro do ano passado, em Guarulhos, Roberta teria concorrido para que Ana Paula ministrasse substâncias letais para Marcelo Hari Fonseca.
- Entre 10 e 11 de abril do ano passado, também em Guarulhos, Roberta teria atuado para que Ana Paula envenenasse Maria Aparecida Rodrigues.
- No dia 26 de abril, em Duque de Caxias (RJ), Roberta, por promessa de recompensa, teria concorrido para o envenenamento de Neil Corrêa da Silva.
- Em 23 de maio, na capital paulista, Roberta teria participado do envenenamento de Hayder Mhazres, de origem tunisiana.
Alegações das defesas das acusadas
A defesa de Ana Paula apresentou resposta à acusação, argumentando que a denúncia se baseia em indícios parciais e alegações imprecisas, sem a robustez necessária para sustentar a ação penal. Alegou "excesso acusatório" devido à cumulação excessiva de qualificadoras e requereu a impronúncia ou absolvição sumária.
Já a defesa de Roberta Cristina requereu a revogação da prisão preventiva e, no mérito, postulou a absolvição sumária pela inexistência de indícios mínimos de autoria. Aduziu que a denúncia se baseia em suposições frágeis e conversas telefônicas insuficientes como prova inequívoca.
A defesa de Roberta afirmou que a tese de que ela encorajava ou induzia Ana Paula é uma alegação desprovida de lastro probatório concreto, sendo um mero juízo de probabilidade e não de certeza.



