Justiça do Tocantins nega interrogatório virtual para pai e filho foragidos por homicídio
A Justiça do Tocantins recusou um pedido de interrogatório por videoconferência para dois acusados de homicídio que estão foragidos há aproximadamente um ano. A decisão envolve Valdimar Carvalho dos Santos, de 46 anos, e seu filho Tiago Pereira dos Santos, de 19 anos, ambos procurados pela morte de Henrique Cardoso de Sousa, um jovem de 22 anos.
Recurso do Ministério Público altera decisão inicial
Inicialmente, o juiz Marcello Rodrigues de Ataídes, da 1ª Vara Criminal de Miracema do Tocantins, havia autorizado que os dois réus fossem ouvidos de forma virtual no dia 6 de abril de 2026. No entanto, o promotor Rodrigo de Souza, do Ministério Público do Tocantins (MPTO), recorreu da decisão, argumentando que o benefício do interrogatório por videoconferência seria incompatível com a condição de foragidos dos acusados.
O promotor destacou que existem mandados de prisão em aberto contra Valdimar e Tiago, reforçando a necessidade de sua captura antes de qualquer procedimento judicial. Após análise do recurso, a Justiça reconsiderou e negou o pedido de interrogatório virtual, mantendo a exigência de que os acusados se apresentem às autoridades.
Detalhes do crime que chocou a região
O crime ocorreu na noite de 12 de abril de 2025, em um bar localizado no Assentamento Água Fria II, na zona rural de Tocantínia. Henrique Cardoso de Sousa, vítima de 22 anos e jogador de futebol amador, foi atingido por um tiro na cabeça durante uma confusão generalizada que envolvia tiroteio no estabelecimento.
Segundo relatos da época, Henrique chegou ao bar no momento em que a confusão já estava em andamento. A irmã da vítima, Esmeralda Farias, afirmou que a discussão não tinha relação com o jovem, mas que os suspeitos estavam armados e efetuaram disparos em várias direções. Henrique foi socorrido e internado no Hospital Geral de Palmas, mas faleceu quatro dias após o incidente.
A família da vítima suspeita que o jovem tenha sido atingido por engano, e a mãe, Maria Ivone, continua clamando por justiça. "Eu sei que meu filho não irá mais voltar, mas quero que a justiça seja feita", desabafou ela.
Defesa dos acusados contesta a decisão judicial
Em nota oficial, a defesa de Valdimar Carvalho e Tiago Pereira informou que, embora respeite a decisão judicial, discorda da proibição do interrogatório virtual. Os advogados sustentam que a audiência de instrução revelou contradições significativas entre vítimas e testemunhas, o que, segundo eles, fragilizaria aspectos importantes da acusação.
A defesa argumenta que muitos fatos narrados de forma linear durante a fase de investigação não se sustentaram da mesma maneira quando submetidos ao contraditório judicial. Além disso, os advogados destacam que os réus são pessoas primárias, trabalhadoras e sem histórico de envolvimento reiterado com violência.
"A defesa entende que há um claro excesso na forma como os fatos foram inicialmente apresentados", afirma a nota, que também ressalta a necessidade de uma análise técnica e imparcial das provas produzidas em audiência.
Busca pelos foragidos continua intensa
Valdimar Carvalho e Tiago Pereira moravam na zona rural de Dois Irmãos antes do crime, mas fugiram assim que os mandados de prisão foram expedidos. Em agosto de 2025, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) divulgou cartazes com as fotos dos dois para auxiliar na localização, medida que permanece em vigor.
A Polícia Civil continua com as investigações e buscas ativas para capturar os acusados, que seguem foragidos. O caso tem mobilizado a comunidade local e gerado debates sobre a eficácia das medidas judiciais em situações envolvendo réus em fuga.
O processo judicial ainda está em andamento, e novas decisões devem ser tomadas conforme o andamento das investigações e a eventual captura dos acusados. A defesa já sinalizou que irá discutir a matéria pelos meios processuais adequados, dentro dos autos e com respeito às instituições.



