Justiça mantém processo contra investigador por estupro em delegacia de Sorriso
A Justiça de Mato Grosso negou, nesta segunda-feira (13), o pedido de absolvição do investigador da Polícia Civil Manoel Batista da Silva, de 52 anos. Ele está indiciado por estupro e abuso de autoridade contra uma detenta dentro da delegacia de Sorriso, município localizado a 420 quilômetros de Cuiabá. O crime teria ocorrido em dezembro de 2025, enquanto a vítima estava presa na unidade policial.
Decisão judicial afasta possibilidade de arquivamento do caso
Na decisão, a 2ª Vara Criminal de Sorriso indeferiu o pedido de retirada de provas do processo e afastou completamente a possibilidade de absolvição do acusado. Segundo o advogado da vítima, Walter Rapuano, o juízo entendeu que a tese da defesa não conseguiu comprovar qualquer indício de adulteração, fraude, contaminação ou quebra de autenticidade do material anexado no processo.
A defesa do investigador havia argumentado com base na alegada ausência de preservação integral das imagens do sistema de monitoramento da delegacia. No entanto, a Justiça considerou que isso não invalida as provas já coletadas, que incluem depoimentos e laudos periciais.
Acusação se sustenta em múltiplas evidências e testemunhas
De acordo com a defesa da vítima, a acusação se sustenta em depoimentos de duas detentas que afirmaram ter visto o investigador retirar a vítima da cela diversas vezes durante a madrugada entre os dias 9 e 10 de dezembro de 2025. O processo também inclui:
- O depoimento detalhado da própria vítima
- Laudos periciais que apontaram vestígios concretos de violência sexual
- Relatos de ameaças feitas pelo acusado durante os supostos crimes
Com essa decisão, o caso segue agora para a fase de instrução, quando serão ouvidas formalmente testemunhas, a vítima e o próprio acusado. A Polícia Civil informou que o crime ocorreu enquanto a vítima estava presa na unidade após o cumprimento de um mandado de prisão temporária relacionado a um homicídio, mas ela foi solta posteriormente.
Detalhes chocantes do suposto crime revelados
A detenta denunciou que foi estuprada cerca de quatro vezes pelo investigador em dezembro do ano passado. Na época, ela estava detida após ser apontada por participação em um crime, mas foi solta depois por falta de provas suficientes. Após recuperar a liberdade, ela relatou o caso primeiro ao seu advogado e, em seguida, procurou o Ministério Público para formalizar a denúncia oficialmente.
Segundo a declaração da defesa da vítima, o investigador retirava a mulher da cela e a levava para uma sala vazia dentro da delegacia. Nas quatro ocasiões relatadas, o abusador teria ordenado que a vítima ficasse em completo silêncio, sob a ameaça explícita de matar a filha dela, que é menor de idade. Esses detalhes aumentam a gravidade das acusações de abuso de autoridade.
Investigações continuam sem novas denúncias até o momento
A delegada responsável pelo caso, Layssa Crisóstomo, informou que outras presas foram ouvidas durante as investigações, mas, até a publicação desta reportagem, não houve novas denúncias contra o policial investigado. A Polícia Civil mantém o caso em sigilo quanto a detalhes operacionais, mas confirmou que todas as medidas legais estão sendo tomadas.
O g1 tenta localizar a defesa de Manoel Batista da Silva para obter uma posição sobre a decisão judicial, mas até o momento não obteve retorno. O caso chama atenção para questões de segurança e integridade dentro das instituições policiais, especialmente em relação ao tratamento de detentos e detentas.
Este não é o primeiro caso do tipo em Mato Grosso. Recentemente, mensagens em grupo de WhatsApp de policiais sugeriram práticas de tortura e estupro de detentas no estado, levantando preocupações sobre a cultura institucional em algumas unidades policiais. A decisão judicial representa um passo importante na busca por justiça neste caso específico e pode ter implicações mais amplas para a responsabilização de agentes públicos.



