Justiça do Rio mantém júri de Jairinho no caso Henry Borel e rejeita transferência
O ex-vereador carioca Dr. Jairinho, réu pela morte do menino Henry Borel em 2021, enfrentou um novo revés no processo judicial. A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido da defesa para transferir o julgamento do caso para outro estado, decisão que foi confirmada por unanimidade pelos desembargadores da 7.ª Câmara Criminal. Além disso, a Defensoria Pública do Rio se recusou a ficar de prontidão para assumir a defesa de Jairinho, argumentando que ele já possui advogados constituídos.
Campanha pública e liberdade de expressão
Os advogados de Jairinho solicitaram a transferência do júri popular alegando a existência de uma "verdadeira campanha pública" contra ele no Rio, promovida pelo vereador Leniel Borel, pai do menino. A campanha incluiu a instalação de 280 outdoors com a mensagem "Justiça por Henry Borel, participe desta luta conosco". No entanto, a juíza Elizabeth Machado Louro considerou que essa ação está dentro dos limites da liberdade de expressão e destacou que o caso tem "óbvia repercussão nacional".
A magistrada afirmou que a estratégia da defesa se assemelha a mais uma tentativa de postergar indefinidamente o julgamento, razão pela qual o pedido foi desacolhido. Os desembargadores corroboraram essa interpretação, reforçando a decisão de manter o processo no Rio.
Manobras protelatórias e defesa técnica
O julgamento estava inicialmente previsto para o dia 23 de março, mas foi impedido por uma manobra da defesa do ex-vereador, quando os advogados abandonaram o plenário, inviabilizando a continuidade do júri. Em resposta, a juíza determinou que, se a estratégia se repetir, Jairinho passará a ser representado por um defensor público para garantir a realização do julgamento.
Contudo, a Defensoria do Rio manifestou-se contra essa possibilidade, através do defensor Denis Sampaio, alegando que o acusado possui uma ampla banca de profissionais constituídos e em atuação, com entrevistas e publicações em mídias sociais, e que estão devidamente intimados para a defesa técnica. "É de conhecimento público que o acusado possui uma ampla banca de profissionais constituídos e em atuação", disse Sampaio em sua manifestação.
Próximos passos e envolvidos
O julgamento está agora agendado para ocorrer no dia 22 de maio. Além de Dr. Jairinho, Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, também responde pela morte da criança, tornando o caso um dos mais emblemáticos e acompanhados pela opinião pública brasileira. As decisões judiciais recentes reforçam a intenção de evitar adiamentos e assegurar que o processo avance de forma célere e justa.
O caso Henry Borel continua a gerar amplo debate sobre justiça, responsabilidade e os limites da defesa em processos criminais de grande repercussão, com a sociedade aguardando ansiosamente o desfecho deste trágico episódio.



