Justiça de São Paulo determina prisão de 12 condenados por agiotagem em Franca
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) emitiu uma decisão que ordena a prisão imediata de 12 condenados por integrarem uma quadrilha de agiotagem que movimentou mais de R$ 60 milhões na cidade de Franca, no interior paulista. Os réus, que haviam sido beneficiados com liberdade provisória após condenação em novembro do ano passado, agora terão que cumprir prisão preventiva por representarem risco à ordem pública e às provas do caso.
Operação Castelo de Areia desmantela esquema criminoso
As investigações, conduzidas pelo Ministério Público por meio da Operação Castelo de Areia, revelaram uma organização criminosa com estrutura hierárquica e coordenação entre os membros. As provas incluem:
- Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça
- Análise detalhada de transações bancárias
- Documentos apreendidos durante as buscas
De acordo com os promotores, as conversas interceptadas comprovam que a quadrilha utilizava ameaças de morte contra inadimplentes e pessoas próximas a eles para recuperar os valores emprestados.
Duas fases da operação e condenações anteriores
A primeira fase da operação ocorreu entre novembro de 2023 e janeiro de 2024, resultando na prisão de sete suspeitos por movimentarem inicialmente R$ 36 milhões. Em dezembro de 2024, sete pessoas, incluindo um ex-policial, foram condenadas a 20 anos de prisão, mas posteriormente absolvidas em segunda instância.
A segunda fase, deflagrada em junho deste ano, identificou uma nova movimentação financeira de aproximadamente R$ 31 milhões, demonstrando que a quadrilha mantinha suas atividades mesmo após as prisões anteriores. Em conversas interceptadas, os integrantes afirmavam que "nada os intimidaria e, até mesmo, jamais seriam punidos".
Decisão judicial e apreensões
A 8ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP, atendendo a pedido do Ministério Público, determinou que as ordens de prisão preventiva sejam expedidas imediatamente. Durante as operações, foram apreendidos:
- Um relógio de luxo de alto valor
- R$ 150 mil em dinheiro vivo
A decisão judicial enfatiza que os acusados não devem permanecer soltos devido ao risco que representam para a ordem pública e pela possibilidade de interferirem nas provas do processo.
Contexto regional e continuidade das investigações
O caso ocorre na região de Franca, conhecida pelo polo calçadista, onde esquemas de agiotagem têm sido alvo constante de operações policiais. As autoridades continuam investigando possíveis ramificações da quadrilha e analisando o destino dos mais de R$ 60 milhões movimentados ilegalmente.



