Justiça de São Paulo determina remoção imediata de acusações contra modelo brasileira
A Justiça de São Paulo emitiu uma decisão liminar nesta sexta-feira (13) ordenando que a jornalista e influenciadora digital Patrícia Lélis remova imediatamente de suas redes sociais todas as publicações que acusam a modelo brasileira Izabel Goulart de envolvimento com o esquema de exploração sexual do bilionário americano Jeffrey Epstein. A magistrada Marcela Raia de Sant'Anna, da 12ª Vara Criminal, estabeleceu um prazo de apenas duas horas para a exclusão completa do conteúdo, sob pena de bloqueio do perfil no Instagram.
Medida cautelar protege imagem e reputação da modelo
Em sua decisão, a juíza considerou que as publicações representam "reiteradas investidas contra a honra" de Izabel Goulart, sem que houvesse qualquer evidência concreta para sustentar as alegações. A magistrada destacou que a carreira da modelo "depende diretamente de sua imagem e reputação para o exercício de sua atividade laboral", e que a manutenção do conteúdo nas redes sociais poderia causar danos irreparáveis tanto no âmbito profissional quanto nas relações pessoais e familiares.
A decisão judicial também estabeleceu que Patrícia Lélis está proibida de fazer novas publicações que façam menções diretas ou indiretas à modelo, que já a acusa formalmente dos crimes de calúnia, injúria e difamação. Apesar da determinação judicial, pelo menos dois vídeos em que a influenciadora acusa Izabel Goulart de tráfico sexual continuavam disponíveis nas plataformas digitais.
Fundamentos constitucionais da decisão
A magistrada fundamentou sua decisão na Constituição Federal, afirmando que "a liberdade de expressão, embora seja um direito fundamental, não é absoluta e encontra limites nos direitos à honra, à imagem e à dignidade da pessoa humana". A juíza ressaltou ainda que o alcance massivo e de difícil controle das publicações na internet amplia significativamente o potencial de prejuízos materiais e morais para a vítima das acusações.
Contexto do caso e negativas da defesa
O caso ganhou destaque na última quarta-feira (11), quando o nome da modelo brasileira foi encontrado entre os 3 milhões de arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos sobre o caso Epstein. Em uma troca de e-mails, Epstein menciona que a ex-modelo da Victoria's Secret teria ficado hospedada em seu apartamento durante sua primeira visita a Nova York.
A defesa de Izabel Goulart nega categoricamente essas informações. Em nota oficial, o advogado Daniel Bialski afirmou: "A modelo internacional e empresária Izabel Goulart afirma categoricamente que jamais esteve ou se hospedou em um apartamento de Epstein, desconhecendo completamente esses fatos". Segundo a defesa, a modelo apenas dividiu um apartamento em Nova York com outras profissionais, cedido pela agência que a representava na época, em 2005, o que seria uma prática comum em contratos internacionais envolvendo modelos maiores de idade.
Consequências legais e próximos passos
O advogado Daniel Bialski anunciou que irá solicitar a remoção das páginas e até mesmo a prisão de Patrícia Lélis caso o conteúdo não seja completamente removido das redes sociais dentro do prazo estabelecido pela Justiça. A defesa da influenciadora ainda não se pronunciou oficialmente sobre a decisão judicial, enquanto o Ministério Público Federal continua investigando possíveis conexões brasileiras com a rede de exploração sexual de Jeffrey Epstein.
O caso também envolve outras personalidades brasileiras, incluindo a apresentadora Luciana Gimenez, que já se pronunciou após ter seu nome mencionado nos documentos relacionados ao escândalo internacional. As investigações continuam em andamento tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, com novas revelações esperadas nas próximas semanas conforme mais documentos são analisados pelas autoridades competentes.



