Julgamento de miliciano por morte de genro de Castor de Andrade tem início no Rio
Julgamento por morte de genro de Castor de Andrade começa no Rio

Julgamento de miliciano por execução de genro de Castor de Andrade tem início no Tribunal do Júri do Rio

O primeiro julgamento relacionado à execução do bicheiro Fernando Iggnácio, genro do contraventor Castor de Andrade, teve início nesta quinta-feira (9) no 1º Tribunal do Júri do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Rodrigo Silva das Neves, apontado como miliciano e envolvido no crime ocorrido em novembro de 2020, é o único dos três acusados cujo processo seguiu adiante após complicações processuais.

Julgamento suspenso para dois réus após destituição de advogado

Inicialmente, também seriam julgados Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, conhecido como Pedrinho, e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro. No entanto, durante a sessão, ambos solicitaram a destituição do advogado Flávio Fernandes, que os representava. O defensor havia alegado insanidade mental de Pedro e pedido a absolvição do cliente, argumento rejeitado pelo juiz. Diante da decisão e da discordância com a estratégia defensiva, os dois réus optaram por dispensar o profissional.

Com essa mudança, o júri de Pedro e Otto foi suspenso e será remarcado para uma data futura. A sessão prosseguiu apenas com o julgamento de Rodrigo Silva das Neves, que foi preso em janeiro de 2021 em uma pousada na cidade de Canavieiras, no sul da Bahia, onde estava escondido.

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Crime ocorreu em 2020 e envolve disputa familiar pelo império do jogo do bicho

Fernando Iggnácio foi executado em 10 de novembro de 2020 em uma emboscada no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio. Ele havia acabado de desembarcar de um helicóptero vindo de Angra dos Reis e foi alvejado com tiros de fuzil 556 ao caminhar até seu carro. As investigações apontam que a morte foi encomendada por Rogério Andrade, sobrinho de Castor de Andrade e considerado por muitos como o maior bicheiro do Rio.

Rogério Andrade foi preso em outubro de 2024 e transferido em novembro para o Presídio Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Ele teria ordenado o crime através de um aplicativo de mensagens criptografadas, onde afirmou: "O cabeludo é o que interessa", em referência à vítima. Mesmo após pedidos de sua defesa, o Supremo Tribunal Federal negou a liberdade de Andrade, que segue preso e responde a um processo separado.

Defesa de Rodrigo nega acusações e critica investigação

A defesa de Rodrigo Silva das Neves nega veementemente as acusações e qualquer ligação com Rogério Andrade. Os advogados afirmam que a investigação conduzida pela Delegacia de Homicídios, que levou à prisão dos suspeitos, foi "uma farsa". Até o momento, não houve retorno dos advogados dos demais envolvidos no caso.

Além de Rodrigo, Pedro e Otto, um quarto suspeito participou do crime: Ygor Rodrigues Santos da Cruz, conhecido como Farofa e apontado como matador de aluguel. Ele foi encontrado morto em novembro de 2022 no Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes.

Disputa pelo poder na família de Castor de Andrade tem longa história de violência

A execução de Fernando Iggnácio está inserida em uma guerra familiar pelo espólio de Castor de Andrade, que dura quase três décadas e tem um histórico marcado por atentados e mortes. Castor, um dos chefões do jogo do bicho, morreu de infarto em 1997. Rogério, seu sobrinho, não herdou imediatamente o império da contravenção, que ficou sob responsabilidade de Paulo Roberto de Andrade, filho de Castor, e do próprio Fernando Iggnácio.

Na divisão, Iggnácio assumiu os caça-níqueis, enquanto Paulinho cuidava das bancas do bicho. Rogério, porém, considerava ter direito à herança e passou a disputar território com ambos. Paulinho foi assassinado em 1998, crime atribuído a Rogério, que então assumiu os negócios do primo e começou a avançar sobre os de Iggnácio.

Investigações da Polícia Federal revelam que a disputa entre Rogério Andrade e Fernando Iggnácio entre 1999 e 2007 resultou em aproximadamente 50 mortes, incluindo policiais acusados de prestar serviços para os contraventores. O próprio Rogério foi vítima de uma tentativa de assassinato em 2001, e em abril de 2010, seu filho de 17 anos morreu em um atentado na Barra da Tijuca. Rogério sempre acusou Fernando Iggnácio de ser responsável por esse crime.

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O julgamento de Rodrigo Silva das Neves continuará nas próximas sessões, com a expectativa de que mais testemunhas sejam ouvidas. O caso exemplifica a complexidade e a violência associadas às disputas pelo controle do jogo do bicho no Rio de Janeiro, um cenário que permanece como um desafio para as autoridades policiais e judiciárias.