Julgamento de acusados pelo assassinato de líder quilombola Mãe Bernadete tem início na Bahia
Julgamento por assassinato de líder quilombola Mãe Bernadete começa

Julgamento de acusados pelo assassinato de líder quilombola Mãe Bernadete tem início na Bahia

O julgamento de dois dos réus pelo assassinato da líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, começou nesta segunda-feira (13) na Justiça da Bahia. A sessão, que estava inicialmente prevista para fevereiro, foi adiada após a defesa solicitar a troca de advogados, mas finalmente teve andamento no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.

Acusações e situação dos réus

Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos enfrentam acusações de homicídio qualificado, cometido por motivo torpe, meio cruel, com impossibilidade de defesa da vítima e utilização de arma de uso restrito. O crime ocorreu em 2023 no município de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Arielson também responde pelo crime de roubo.

Atualmente, Arielson da Conceição Santos, que é réu confesso, já se encontra preso, enquanto Marílio dos Santos está foragido, o que adiciona um elemento de tensão ao processo judicial.

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Protestos e expectativa por justiça

No início da manhã, integrantes do movimento negro, familiares e amigos de Mãe Bernadete realizaram um protesto em frente ao fórum, demonstrando a comoção e a demanda por justiça. O advogado da família Pacífico, Hédio Júnior, expressou em redes sociais a expectativa de que os réus sejam condenados à pena máxima.

“O mundo precisa ter um resultado, que seja a condenação à pena máxima. As provas são irrefutáveis, são provas periciais. Esse executor que está aqui foi reconhecido pelas testemunhas. Ele é réu confesso, ele confessou na polícia, depois confessou no juízo, você tem prova de grampo telefônico, de rastreamento de antena de celular, prova pericial, prova de balística. Portanto o que se hoje aqui se espera, e eu confio muito no discernimento dos jurados, é a condenação à pena máxima”, afirmou Hédio Júnior.

Jurandir Pacífico, filho de Mãe Bernadete e ativista, também compartilhou essa esperança em entrevista à Agência Brasil em fevereiro, destacando o caráter bárbaro do crime e a dedicação de sua mãe aos direitos humanos.

Detalhes do crime e contexto da vítima

Mãe Bernadete foi assassinada aos 72 anos, vítima de 25 tiros dentro de sua casa, na sede do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, em 17 de agosto de 2023. Homens armados invadiram a comunidade, mantendo familiares reféns antes de executar a ialorixá.

Ela era uma das lideranças da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas e uma voz ativa na defesa do território, no combate ao racismo e na busca por respostas pela morte de seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, assassinado em 2017 por defender as mesmas causas.

O assassinato ocorreu mesmo após Mãe Bernadete denunciar frequentes ameaças, sendo inclusive integrante do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o que levanta questões sobre a eficácia de tais mecanismos de proteção.

Outros envolvidos e andamento processual

Além dos dois réus em julgamento, outras três pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público da Bahia: Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, este último também acusado de ser mandante do crime. Eles ainda não têm data definida para serem julgados, indicando que o processo pode se estender por mais tempo.

O caso continua a atrair atenção pública, refletindo preocupações mais amplas com violência contra defensores de direitos humanos e comunidades tradicionais no Brasil.

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