Julgamento em Chapecó: mulher vai a júri por tentativa de homicídio após pagar R$ 300 mil a cartomante
O julgamento da mulher acusada de participar da tentativa de homicídio contra a companheira do ex-marido teve início nesta sexta-feira (27) em Chapecó, Santa Catarina. O crime, que aconteceu em 2019, envolveu uma trama complexa que começou quando a acusada procurou uma cartomante e pagou a quantia de R$ 300 mil por um feitiço para reatar a relação com o ex-marido.
Crime com tiros e sequelas graves
Como o ritual não surtiu o efeito desejado, a vidente teria proposto o assassinato da nova companheira do ex-marido. A vítima foi atacada a tiros na tarde de 3 de junho de 2019, no centro de Chapecó, sobrevivendo ao ser atingida por três projéteis na cabeça, mas ficando com sequelas permanentes. O autor dos disparos, um paraguaio, fugiu em uma motocicleta, mas foi preso minutos após o crime, com câmeras de monitoramento flagrando parte da ação.
Rede criminosa e condenações anteriores
A investigação revelou que o atirador foi contratado pelo marido da cartomante, que também participou do crime, com a orientação de simular um latrocínio durante o ataque. Após a tentativa de assassinato, a acusada que vai a júri ainda foi vítima de extorsão, quando a cartomante exigiu mais R$ 800 mil para fugir da cidade, ameaçando de morte a cliente e seu neto, com R$ 90 mil em cheques chegando a ser compensados.
Outros envolvidos já foram condenados:
- O autor dos disparos foi julgado em novembro de 2021 e condenado a 15 anos e oito meses de prisão em regime fechado por tentativa de homicídio qualificado, além de penalidades por porte ilegal de arma e uso de documento falso.
- A cartomante foi condenada em maio de 2022 a quatro anos de reclusão por extorsão mediante ameaça de morte.
- O marido da vidente recebeu pena de 12 anos de prisão.
Julgamento com grande repercussão
O júri da acusada estava originalmente marcado para dezembro de 2025, mas foi cancelado por solicitação dos advogados, que alegaram que a mulher estava em uma clínica psiquiátrica. A sessão desta sexta-feira começou por volta das 8h30, com a escolha dos jurados, e deve encerrar um caso de grande repercussão no estado, conforme destacado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
O processo judicial envolve uma narrativa intricada que mistura elementos de crime passional, superstições e extorsão, chamando a atenção para os desdobramentos jurídicos e sociais de um episódio que abalou a comunidade local.



