Dois investigados por assassinato de Mãe Bernadete terão julgamento marcado para fevereiro de 2026
Julgamento de suspeitos na morte de Mãe Bernadete em fevereiro de 2026

Dois investigados pelo assassinato de Mãe Bernadete passarão por julgamento em fevereiro de 2026

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) estabeleceu a data para a sessão do Tribunal do Júri que irá julgar dois dos indivíduos investigados pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Maria Bernadete Pacífico, conhecida como Mãe Bernadete. O crime ocorreu na cidade de Simões Filho, localizada na Região Metropolitana de Salvador, no ano de 2023.

Detalhes do julgamento

O julgamento foi agendado para o dia 24 de fevereiro de 2026, com início às 8 horas, conforme informação divulgada pela 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador. Em comunicado oficial, o TJ-BA esclareceu que a sessão poderá se estender até o dia 25 de fevereiro, também às 8 horas, caso seja necessário para a conclusão dos trabalhos judiciais.

Os réus que enfrentarão o júri são Arielson da Conceição Santos, que se encontra preso preventivamente, e Marílio dos Santos, que permanece foragido. Ambos são investigados pelos crimes de homicídio qualificado, com agravantes como motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e feminicídio, além de crimes correlatos.

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Contexto do caso e outros envolvidos

Estes dois indivíduos representam apenas uma parte dos seis suspeitos envolvidos no crime. Além de Arielson, outras quatro pessoas foram detidas em conexão com o homicídio:

  • Sérgio Ferreira de Jesus: suspeito de receptar os celulares da líder quilombola e de familiares, que foram roubados durante o assassinato.
  • Josevan Dionísio dos Santos: suspeito de executar Mãe Bernadete.
  • Ydney Carlos dos Santos de Jesus: suspeito de auxiliar no plano criminoso.
  • Carlos Conceição Santiago: suspeito de ter armazenado as armas utilizadas no crime.

Marílio dos Santos é apontado como o chefe do grupo criminoso, que atua em São Sebastião do Passé e Simões Filho, onde Mãe Bernadete exercia oposição ao tráfico de drogas, motivo alegado para o crime conforme investigações da Polícia Civil.

Indenização à família

Em desenvolvimento paralelo, a Procuradoria Geral do Estado (PGE) informou que os pagamentos referentes à indenização aos familiares de Mãe Bernadete foram concluídos recentemente. O valor dos pagamentos é mantido em sigilo, e o caso foi resolvido por meio de um acordo administrativo.

O secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, destacou que a decisão simboliza um avanço institucional e humano, visando amparar as vítimas diretas e indiretas da tragédia.

Recapitulação do crime

O homicídio ocorreu em 17 de agosto de 2023, na sede do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho. Durante o crime, os netos da vítima estavam presentes, mas foram removidos da sala e não sofreram ferimentos. Após o assassinato, os suspeitos roubaram os celulares de Mãe Bernadete e das testemunhas.

Um dos netos, Wellington, utilizou um aplicativo de mensagens aberto no computador para pedir socorro, demonstrando a gravidade da situação. A investigação revelou que o grupo criminoso chegou e saiu do quilombo de moto, com um dos executores sendo preso posteriormente após fazer reféns.

Andamento processual e expectativas

A Justiça já determinou que Marílio dos Santos irá a júri popular, assim como Arielson e Sérgio, embora Marílio continue foragido. A audiência de Marílio e Arielson foi transferida para Salvador a pedido dos advogados, enquanto Sérgio terá seu júri em Simões Filho.

Os julgamentos de Ydney, Josevan e Carlos foram desmembrados do processo principal, pois não tinham advogados constituídos na época. A defesa da família de Mãe Bernadete expressou esperança na localização do foragido e na possibilidade de existência de outros mandantes.

Histórico familiar

Mãe Bernadete assumiu a liderança quilombola após o assassinato de seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, que foi morto a tiros em 2017. Assim como a mãe, Binho se posicionava contra o tráfico de drogas na região, evidenciando um padrão de violência contra a família.

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Este caso continua a chamar atenção para questões de segurança pública, direitos humanos e a proteção de líderes comunitários no Brasil.