Julgamento da maior chacina do DF tem segundo dia com depoimento crucial do delegado
Julgamento da maior chacina do DF tem depoimento crucial do delegado

Julgamento da maior chacina do Distrito Federal avança com depoimentos cruciais

O segundo dia do julgamento dos cinco homens acusados de executar a maior chacina da história do Distrito Federal transcorreu nesta terça-feira (14) em Planaltina, com destaque para um depoimento considerado central para o desenrolar do processo. Ao todo, doze testemunhas foram ouvidas durante a sessão, que se estendeu por praticamente todo o dia útil.

Depoimento extenso do delegado investigador

O delegado Ricardo Viana, que chefiou pessoalmente as investigações do caso, foi a segunda testemunha a prestar depoimento, iniciando sua oitiva às 10h05 e concluindo apenas pouco antes das 17h30. Durante seu extenso testemunho, o delegado explicou minuciosamente como a polícia conseguiu chegar até as vítimas e identificar os acusados, detalhando ainda a motivação por trás dos crimes e os diversos depoimentos colhidos ao longo da apuração.

Este foi o único depoimento que os cinco réus puderam acompanhar diretamente entre todas as pessoas ouvidas durante esta terça-feira. Os crimes, que ficaram conhecidos como a maior chacina da história da capital federal, foram praticados entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023.

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Disputa por propriedade de alto valor como motivação

A Polícia Civil do Distrito Federal concluiu, ainda durante as investigações iniciais, que a chacina teve como motivação principal a posse de uma chácara de 5,2 hectares, avaliada em aproximadamente R$ 2 milhões, localizada na região do Paranoá, onde algumas das vítimas residiam. Importante destacar que, mesmo antes dos crimes ocorrerem, essas terras já eram objeto de uma disputa judicial acirrada.

Os cinco réus que respondem pelo caso são:

  • Gideon Batista de Menezes
  • Horácio Carlos Ferreira Barbosa
  • Carlomam dos Santos Nogueira
  • Fabrício Silva Canhedo
  • Carlos Henrique Alves da Silva

Pedido de reinquirição e continuidade do julgamento

As defesas de Carlomam dos Santos Nogueira e Carlos Henrique Alves da Silva – dois dos cinco acusados – solicitaram formalmente a reinquirição do delegado Ricardo Viana. Os advogados argumentaram que existem pontos considerados contraditórios no depoimento que precisam ser devidamente esclarecidos em momento posterior do julgamento.

A expectativa é que o delegado retorne para novo depoimento após a realização do interrogatório dos próprios réus, que está previsto para ocorrer durante a sessão desta quarta-feira (15), com início marcado para as 9h. A previsão é que o julgamento se estenda ainda por vários dias, não sendo descartada a possibilidade de convocação de sessões extraordinárias durante o fim de semana, caso seja necessário.

Outros depoimentos do segundo dia

Antes do depoimento do delegado, uma testemunha foi ouvida sob regime de sigilo total, com o plenário sendo completamente esvaziado para garantir a preservação de sua identidade – momento que a imprensa não pôde acompanhar.

Após a longa oitiva do delegado, por volta das 18h, depôs uma mulher identificada como compradora de um imóvel ligado a uma das vítimas, em depoimento que durou aproximadamente 10 minutos. A quarta testemunha foi uma vizinha da Chácara Quilombo – local onde Marcos, sua esposa e filha foram rendidos pelos criminosos.

Na sequência, foi ouvido o corretor responsável pela venda do imóvel mencionado no processo, com depoimento que durou menos de um minuto e no qual apenas a defesa de Horácio realizou perguntas. A sexta pessoa a depor foi o namorado de Gabriela Belchior, uma das jovens vítimas, que relatou ter trocado mensagens com ela durante o período em que estava desaparecida – embora a investigação tenha concluído que as respostas eram enviadas sob comando direto dos criminosos.

Depoimentos emocionados de familiares

A sétima e oitava testemunhas foram filhos de Elizamar e irmãos das três crianças vítimas. O filho mais velho contou que soube da ausência da mãe no trabalho através de uma colega e tentou contatá-la sem sucesso, em depoimento que durou cerca de 20 minutos.

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A outra filha, visivelmente emocionada, relatou ter recebido uma ligação do irmão informando sobre o desaparecimento da mãe. Ela afirmou que procurou por Thiago e ouviu que ele teria viajado, enquanto Elizamar teria saído de casa durante a madrugada sem retornar. A testemunha também descreveu ter ido até o local onde o carro foi encontrado e visto os corpos da mãe e dos irmãos, em depoimento que durou aproximadamente 10 minutos.

A nona testemunha foi o proprietário da casa utilizada como cativeiro pelos criminosos, sendo este outro depoimento realizado com o plenário esvaziado. Outras três testemunhas foram ouvidas já ao final da sessão, em depoimentos considerados curtos pelos presentes.

Relembrando os trágicos acontecimentos

No dia 12 de janeiro de 2023, a cabeleireira Elizamar da Silva, de 39 anos, desapareceu junto com seus três filhos pequenos. Segundo as investigações policiais, ela teria saído de casa com um carro para buscar o marido, Thiago Gabriel Belchior, de 30 anos. No dia seguinte, o veículo foi encontrado com os quatro corpos carbonizados dentro, próximo a Cristalina (GO), no Entorno do Distrito Federal. O marido também era considerado desaparecido naquele momento.

Três dias depois, familiares reportaram o desaparecimento de mais três integrantes da mesma família: o pai, a mãe e uma irmã de Thiago – respectivamente Marcos Antônio Lopes de Oliveira, Renata Juliene Belchior e Gabriela Belchior. O carro de Marcos Antônio, sogro de Elizamar, foi encontrado carbonizado com dois corpos dentro durante o mesmo fim de semana do desaparecimento inicial. Posteriormente, as investigações confirmaram que se tratavam dos corpos de Renata Juliene Belchior e Gabriela Belchior.

Além da família de Elizamar, a polícia também registrou o sumiço de Claudia Regina Marques de Oliveira e Ana Beatriz Marques de Oliveira, ex-mulher e filha de Marcos Antônio, respectivamente. O corpo de Marcos Antônio foi encontrado enterrado e esquartejado próximo à casa utilizada como cativeiro pelos criminosos, em Planaltina.

No dia 17 de janeiro, foram encontrados os três últimos corpos, que foram identificados como sendo de Thiago Belchior, Claudia Regina Marques e Ana Beatriz Marques, completando assim o trágico total de dez vítimas fatais.