Adolescente é morto com 21 facadas em Limeira e dois suspeitos vão a júri popular
O Tribunal do Júri de Limeira, no interior de São Paulo, irá julgar dois homens acusados do assassinato brutal do adolescente Erick Delatore de Araújo, de apenas 16 anos. O crime ocorreu em janeiro de 2023 e chocou a comunidade local pela violência extrema, com a vítima sendo atingida por 21 facadas. A decisão de pronúncia, que submete os réus ao júri, foi publicada pela 1ª Vara Criminal da cidade na terça-feira, dia 14 de maio.
Detalhes do crime e versões conflitantes dos acusados
Erick Delatore foi encontrado sem vida na Estrada Municipal LIM-146, em circunstâncias que revelam uma agressão feroz. Os investigados são Samuel Silva de Carvalho Júnior e Tiago Oliveira Ricardo. Inicialmente, conforme relatos policiais, Samuel confessou a autoria do homicídio, alegando que a motivação teria sido uma discussão provocada por uma ofensa à sua namorada, somada a uma dívida não especificada.
Entretanto, em uma reviravolta judicial, Samuel posteriormente negou ter cometido o crime perante a Justiça. Ele sustentou que foi coagido por Tiago a assumir a responsabilidade, sob ameaças direcionadas a ele próprio e a membros de sua família. Essa mudança na narrativa introduz uma camada adicional de complexidade ao caso, levantando questões sobre a dinâmica de poder entre os acusados.
Líder religioso é apontado como figura central no contexto do crime
Tiago Oliveira Ricardo é identificado nas investigações como um pai de santo, responsável por uma casa de culto de matriz afro-brasileira que era frequentada tanto pela vítima quanto por Samuel. De acordo com a decisão judicial proferida pelo juiz Fábio Augusto Paci Rocha, depoimentos colhidos indicam que Erick esteve presente na residência de Tiago na noite do crime.
O magistrado destacou em sua sentença que Tiago foi observado em estado de "aparente abalo" naquele dia fatídico. A sentença também ressalta indícios de que o acusado exercia uma ascendência significativa sobre os demais frequentadores do grupo religioso, conduzindo práticas espirituais que incluíam o uso de instrumentos perfurocortantes em rituais e influenciando o comportamento dos membros.
"Circunstância que, em tese, revela sua centralidade no contexto fático", afirmou o juiz, sublinhando a possível influência de Tiago no episódio. No entanto, a motivação específica do líder religioso para o crime não foi detalhada no documento judicial.
Andamento processual e contato com as defesas
O processo segue seu curso legal, com a defesa de Samuel Silva sendo questionada pela reportagem sobre o pronunciamento. A assessoria informou que a matéria será atualizada assim que houver um retorno oficial. Por outro lado, os advogados de Tiago Ricardo não foram localizados para comentários, deixando em aberto a estratégia de defesa que será adotada no júri.
O caso, que permanece sob os holofotes da mídia regional, agora aguarda a marcação da data para o julgamento pelo Tribunal do Júri, onde a população de Limeira decidirá sobre a culpabilidade ou inocência dos dois réus. A comunidade local acompanha com atenção os desdobramentos, esperando por justiça para o adolescente brutalmente assassinado.



