Polícia investiga morte de jovem grávida após quatro atendimentos hospitalares em SC
Jovem grávida morre após 4 idas a hospital em SC; polícia investiga

Polícia investiga morte de jovem grávida após quatro atendimentos hospitalares em SC

A Polícia Civil de Santa Catarina está investigando a morte de uma jovem grávida de 18 anos, que procurou atendimento médico por quatro vezes antes de falecer. Maria Luiza Bogo Lopes estava no sétimo mês de gestação quando buscou auxílio no Hospital Beatriz Ramos, localizado em Indaial, no Vale do Itajaí.

Detalhes do caso e investigação

De acordo com o delegado Ícaro Malveira, responsável pelas investigações, o prontuário médico da vítima indicava que ela sofria de dengue grave. A informação constava em documentos do Hospital Santo Antônio, em Blumenau, para onde Maria foi transferida em estado crítico. O delegado ressaltou que o termo utilizado no prontuário era "dengue hemorrágica", mas desde 2014 o Ministério da Saúde adota a nomenclatura "dengue grave", pois a hemorragia não é necessariamente o principal sintoma da forma mais severa da doença.

Os prontuários foram encaminhados à Polícia Científica para a elaboração de um laudo pericial, que deve ficar pronto até o final da próxima semana. A análise é crucial para determinar se houve imprudência ou negligência por parte da equipe médica que atendeu a jovem. Os profissionais envolvidos serão intimados a prestar depoimento.

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Cronologia dos atendimentos

A família de Maria relatou que a jovem começou a sentir fortes dores no corpo, cabeça, olhos e costas, além de apresentar febre. A sequência de atendimentos foi a seguinte:

  1. 30 de março: Primeira ida ao Hospital Beatriz Ramos. Exames não detectaram problemas e ela foi liberada.
  2. 31 de março: Segunda visita ao hospital. Novos exames mostraram diminuição nas plaquetas, com suspeita de dengue, mas a paciente foi liberada novamente.
  3. 1º de abril: Maria retornou ao pronto-atendimento duas vezes, de manhã e à noite, e foi dispensada após medicação.
  4. 2 de abril: A família levou-a ao posto de saúde onde fazia pré-natal. Recebeu soro e foi encaminhada novamente ao Hospital Beatriz Ramos, onde foi diagnosticada com infecção generalizada grave.

Maria foi então transferida pelo SAMU para o Hospital Santo Antônio, em Blumenau. Uma cesariana de emergência foi realizada, mas a bebê não sobreviveu. A jovem faleceu pouco tempo depois, na quinta-feira, dia 2 de abril.

Posicionamento dos hospitais

O Hospital Beatriz Ramos emitiu uma nota afirmando que o caso está sendo submetido a uma investigação técnica rigorosa, conduzida conforme os protocolos do Conselho Federal de Medicina e do Ministério da Saúde. A instituição lamentou profundamente o ocorrido e expressou solidariedade à família, reafirmando compromisso com ética e transparência.

Já o Hospital Santo Antônio informou que a paciente chegou em estado gravíssimo, já entubada, e foi prontamente atendida por equipes especializadas.

Desdobramentos e possíveis medidas

O corpo de Maria Luiza foi sepultado na sexta-feira, dia 3 de abril, sem ter sido levado ao Instituto Médico Legal (IML). Segundo o delegado, a justificativa foi a ausência de indícios de morte violenta. No entanto, se os laudos periciais não forem conclusivos, a polícia não descarta a possibilidade de exumação do corpo para novos exames.

A investigação continua apurando se a dengue grave pode ter alterado a causa da morte e a análise dos atendimentos prestados. A família busca respostas sobre o trágico desfecho, enquanto as autoridades trabalham para esclarecer todos os aspectos do caso.

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