Jogadores do Vasco-AC denunciados por estupro coletivo são soltos em Rio Branco após dois meses presos
Após dois meses detidos no Complexo Penitenciário da capital acreana, o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) decidiu conceder liberdade aos quatro atletas do Vasco-AC que foram denunciados pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) por estupro coletivo e de vulnerável no alojamento do time, localizado em Rio Branco. A soltura dos jogadores ocorreu na última terça-feira, dia 7 de maio, conforme informação confirmada pelo próprio TJ-AC ao portal g1.
Decisão judicial e medidas cautelares
O tribunal informou que revogou a prisão preventiva dos quatro atletas, permitindo que eles agora respondam ao processo em liberdade, desde que cumpram rigorosas medidas cautelares. Entre as condições impostas estão:
- Fornecer o endereço atual onde possam ser localizados;
- Informar o número telefônico atualizado;
- Comparecer a todos os atos processuais do caso.
Os jogadores foram advertidos de que, em caso de descumprimento dessas medidas, poderá ser decretada novamente a prisão preventiva. Além disso, está marcada uma audiência de instrução para a próxima quinta-feira, dia 16 de maio.
Contexto do caso e investigações
Cinco atletas da Associação Desportiva Vasco da Gama (Vasco-AC) são investigados pelo estupro de duas mulheres em Rio Branco. O caso resultou inicialmente na prisão de Erick Luiz Serpa Santos Oliveira no próprio dia do crime, além de Brian Peixoto Henrique Ilziario e Alex Pires Bastos Júnior, que havia sido solto em 10 de março. Recentemente, Lucas de Abreu de Melo e Bernardo Barbosa Nunes, nomes que não haviam sido divulgados anteriormente, também passaram a ser investigados. Todos os acusados negam veementemente a prática do crime.
No dia 13 de março, o MP-AC apresentou denúncia formal contra os cinco jogadores, revelando os nomes de Lucas e Bernardo, que inicialmente haviam prestado depoimento como testemunhas e nunca foram presos. Ambos já haviam retornado para o Rio de Janeiro antes da decisão que ordenou a prisão dos demais.
Detalhes do crime e investigação policial
O caso foi registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) em 14 de fevereiro, menos de um dia após a ocorrência do crime. O delegado Alcino Júnior, que estava de plantão na época, informou que encontrou as vítimas na Maternidade Bárbara Heliodora. Segundo ele, as mulheres haviam procurado a delegacia pela manhã, mas não conseguiram formalizar a ocorrência e foram encaminhadas para atendimento médico.
As vítimas relataram medo de retaliação e foram orientadas por uma assistente social a registrar a denúncia. A polícia apurou que as mulheres foram ao alojamento para se relacionar de forma consensual com os jogadores, mas teriam sido submetidas a abusos posteriormente. "Você só vai até o ponto em que ambos querem. Então, foi nesse contexto a situação", resumiu o delegado Alcino Júnior.
Entrega dos jogadores e polêmica envolvendo o time
Com exceção de Erick, preso ainda no dia 14 de fevereiro, os outros três jogadores tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça no dia 15. No dia 17, eles se entregaram à polícia: Alex (Lekinho) foi até a Delegacia de Flagrantes (Defla) acompanhado do então treinador Eric Rodrigues e do advogado Robson Aguiar, enquanto Matheus Silva e Brian Peixoto Henrique Iliziario se apresentaram na Deam com o advogado Atevaldo Santana.
No dia 19 de fevereiro, o Vasco-AC fez sua estreia na Copa do Brasil na Arena da Floresta, em Rio Branco, sendo eliminado pelo Velo Clube nos pênaltis. Antes do jogo, porém, o time acreano chamou atenção ao entrar em campo com camisas que estampavam os nomes de três dos quatro atletas presos. A ação foi repudiada em conjunto pelos ministérios das Mulheres e do Esporte, que classificaram a homenagem como "inaceitável".
O gesto dos atletas também está sendo investigado pelo MP-AC, que vai analisar se houve possível omissão da justiça desportiva do estado. Em nota anterior, o Vasco-AC afirmou que não compactua com qualquer forma de violência e que adotará as medidas cabíveis no âmbito interno, conforme o andamento das investigações.



