Operação Estrela Cadente do MPRS mira empresa de rifas ilegais em São Paulo
MPRS investiga empresa de rifas ilegais em operação em SP

Operação Estrela Cadente do MPRS mira empresa de rifas ilegais em São Paulo

A empresa Pix das Estrelas Ltda. foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos nesta sexta-feira (10), em São Paulo, através da operação Estrela Cadente, conduzida pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). O nome da plataforma não foi divulgado oficialmente pelo órgão, mas foi apurado pela reportagem. O MP investiga a promoção de rifas eletrônicas ilegais e suspeitas de lavagem de dinheiro.

Empresa administrada por Murilo Ferreira Gomes Filho

Segundo apurações, a empresa é administrada por Murilo Ferreira Gomes Filho. As investigações indicam que o empreendimento teria promovido sorteios com prêmios em dinheiro e bens de alto valor, como carros e eletrônicos, sem autorização legal, prática enquadrada como contravenção penal. A reportagem não identificou a defesa de Murilo e da Pix das Estrelas, mantendo espaço aberto para posicionamento.

"A empresa promovia sorteios travestidos de rifas, com informações fraudulentas relacionadas a autorizações e procedimentos. E, para poder usar o nome e marca dos clubes, ter um alcance maior e conferir aparência de legalidade a essas ações, firmava patrocínios com clubes de futebol e torcidas organizadas. Com isso, as ações tinham uma abrangência muito maior", explica o promotor de Justiça Flávio Duarte.

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Mandados cumpridos em dois endereços

O MP solicitou mandados em dois endereços ligados ao investigado: uma residência em Santo André e um escritório na Avenida Faria Lima, em São Paulo. Foram apreendidos celulares, computadores, documentos, contratos, registros financeiros e outros materiais que possam comprovar as irregularidades. Não é informada a quantia que teria sido movimentada no suposto esquema, mas a Promotoria usa a expressão que são valores "aparentemente muito expressivos".

Contrato com o Grêmio e campanha polêmica

Para a Promotoria, a empresa ganhou visibilidade ao firmar, em agosto de 2025, contrato de patrocínio com o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. No anúncio da parceria, foi lançada uma campanha que prometia até R$ 300 mil via Pix ou um carro, além de outros prêmios em dinheiro. A ação teria como objetivo arrecadar recursos por meio da venda de "cotas" ou "bilhetes", associando a iniciativa à possível contratação de um jogador para o clube.

A reportagem entrou em contato com a assessoria do Grêmio para manifestação. Até a última atualização, não houve retorno. De acordo com o Ministério Público, a campanha teria apresentado uma série de inconsistências, como:

  • Uso de empresas diferentes para viabilizar as campanhas
  • Pagamentos direcionados a empresas distintas, algumas com CNPJs incompatíveis
  • Empresas pertencentes a atividades completamente diferentes das informadas

Participantes adquiriam e-books como pretexto

Além disso, o Ministério Público aponta que os participantes das campanhas não estariam adquirindo, de fato, cotas ou bilhetes, mas sim e-books (muitos deles gratuitos e disponíveis na internet) utilizados apenas como pretexto para a venda dos números dos sorteios. As divergências também geraram insatisfação entre torcedores, que afirmaram ter sido enganados, já que a contratação do jogador prometido não ocorreu.

Diante da repercussão negativa, a campanha inicial foi cancelada, e Pix das Estrelas e o Grêmio informaram que os valores pagos seriam devolvidos.

Padrão de irregularidades continuou após rescisão

Ainda conforme o MP, mesmo após a rescisão do contrato com o Grêmio, formalizada em novembro de 2025, a Pix das Estrelas teria seguido promovendo campanhas semelhantes, desta vez associando-se a outros clubes de futebol. O Ministério Público afirma que o padrão de irregularidades teria permanecido o mesmo, com previsão e indícios de pagamento de prêmios em dinheiro.

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Inconsistências nos dados cadastrais da empresa

As investigações também apontam inconsistências nos dados cadastrais da empresa. Diligências realizadas indicaram que o endereço informado como sede da Pix das Estrelas não corresponde a um local onde a empresa efetivamente funcione. Para o MP, a estrutura criada, com uso de múltiplas empresas, endereços incompatíveis e fluxos financeiros fragmentados, teria como objetivo dificultar o rastreamento do dinheiro arrecadado, o que levanta a suspeita de lavagem de capitais.