Irmã de capoeirista assassinado em Niterói é presa por suspeita de mandar matá-lo por herança
Irmã de capoeirista morto é presa por suspeita de mandar matá-lo

Irmã de capoeirista assassinado em Niterói é presa por suspeita de mandar matá-lo por herança

A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu nesta quarta-feira (8) Adriana Souza Possobom Aragão de Miranda, irmã do mestre de capoeira Paulo Cesar da Silva Souza, conhecido como Mestre Paulinho Sabiá, assassinado em fevereiro em Niterói. A prisão ocorreu após investigações apontarem que ela seria a mandante do crime, com motivações financeiras relacionadas ao patrimônio da vítima.

Discussão sobre patrimônio três dias após o enterro

Segundo depoimento colhido pela polícia, a namorada do capoeirista, Silmara Alencastro, relatou que Adriana foi à casa onde ela morava com Paulo no dia 23 de fevereiro, três dias após o enterro, exigindo que Silmara deixasse o local. A discussão girou em torno dos bens de Paulinho, que incluíam:

  • A casa onde funcionava a escola de capoeira
  • Dois terrenos em Maricá
  • Um carro e motos antigas
  • Aplicações financeiras de R$ 100 mil
  • Valores não especificados em dinheiro vivo guardados em casa

O delegado Willians Batista, que comandava a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí na época, afirmou que "não há dúvida de que a motivação do crime foi financeira". Ele destacou que Adriana já havia sido investigada anteriormente por um furto de valores que a vítima costumava guardar.

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Informações privilegiadas e ligações suspeitas

As investigações revelaram que Adriana teria fornecido informações detalhadas sobre a rotina do irmão aos assassinos. Análises do celular da vítima mostraram que, momentos antes da tentativa de homicídio em 16 de fevereiro e do assassinato em 18 de fevereiro, ela ligou para Paulinho perguntando sobre seus planos. "A única pessoa que ele tinha passado exatamente o que ele ia fazer era a Adriana", garantiu o delegado.

Imagens de câmeras de segurança da ponte Rio-Niterói e de ruas próximas aos locais dos crimes mostraram a mesma moto circulando nos dois dias, indicando que os criminosos tinham conhecimento preciso dos movimentos da vítima.

Confissão do piloto da moto e prisão anterior

A polícia chegou a Adriana após prender no sábado (4) Juan Nunes dos Santos, conhecido como Coelho ou Juan do Alemão, que pilotava a moto nas duas emboscadas. Segundo as autoridades, Juan confessou sua participação e confirmou o envolvimento de Adriana como mandante. O homem que efetivamente atirou no capoeirista continua foragido.

Na delegacia, Adriana recusou-se a prestar depoimento, afirmando que só falaria após seu advogado ter acesso ao processo. A TV Globo tentou contato com a defesa da mulher, mas não obteve resposta até o momento.

Detalhes do crime e investigação

O Mestre Paulinho Sabiá foi assassinado no dia 18 de fevereiro no bairro de Icaraí, em Niterói. Ele estava no banco do carona de um veículo dirigido por sua companheira quando dois homens em uma moto se aproximaram no cruzamento da Rua Sete de Setembro com a Rua Lemos Cunha e efetuaram disparos à queima-roupa. A vítima foi atingida por três tiros e morreu no local.

Dois dias antes, em 16 de fevereiro, Paulinho já havia sofrido uma tentativa de homicídio no mesmo bairro, quando um homem apontou uma arma para sua nuca, mas a arma falhou. A Delegacia de Homicídios assumiu a investigação imediatamente após o crime, realizando perícia no local, analisando imagens de câmeras de segurança e ouvindo testemunhas.

Contradições e comportamento suspeito

Na ocasião da morte do irmão, Adriana havia declarado à imprensa que "meu irmão era uma pessoa muito especial, muito querido por todos. Ele não tinha, que a gente soubesse, nenhum desafeto". Ela também esteve presente no enterro de Paulinho, que contou com uma emocionante roda de capoeira em homenagem ao mestre.

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O delegado Willians Batista ressaltou que a relação entre irmãos era marcada por conflitos financeiros: "A relação entre eles teve episódios com questões envolvendo brigas, sobretudo por conta de dinheiro, por conta de questão financeira". Ele acrescentou que Adriana "fez tudo o que podia, inclusive com emprego de advogado, para conseguir acessar o apartamento dele o quanto antes, obter as chaves o quanto antes, para o que a gente entende ser a busca por esses valores que ele guardava em casa".