Polícia Civil encerra inquérito sobre assassinato brutal em penitenciária de Muriaé
Inquérito encerrado sobre assassinato brutal em penitenciária de MG

Polícia Civil conclui investigação sobre assassinato brutal dentro de penitenciária em Minas Gerais

A Polícia Civil de Minas Gerais anunciou oficialmente nesta quarta-feira, dia 22, o encerramento do inquérito que apurava o brutal assassinato cometido dentro da Penitenciária Doutor Manoel Martins Lisboa Júnior, localizada na cidade de Muriaé. O delegado responsável pelo caso, Tairony Espíndola, confirmou que o autor, cuja identidade não foi divulgada pelas autoridades, foi indiciado por homicídio triplamente qualificado, um dos crimes mais graves previstos no código penal brasileiro.

Detalhes macabros do crime revelados durante as investigações

A vítima foi identificada como Deylon Moura Santos, de 28 anos, que já tinha histórico no sistema prisional desde 2015 e havia sido transferido para a unidade de Muriaé em agosto de 2025. Durante seu depoimento, o autor confessou o crime e alegou como motivação uma suposta ameaça que teria recebido de Deylon. Conforme explicou o delegado Espíndola, as investigações indicam que o detento surpreendeu a vítima enquanto ela ainda dormia em sua cela.

"Diante da ausência de lesões defensivas, acreditamos que ele aproveitou o momento de vulnerabilidade da vítima, que estava adormecida, para iniciar o ataque. Primeiro, ele a asfixiou, deixando-a inconsciente. Somente depois disso, iniciou os cortes no corpo", detalhou o delegado durante coletiva à imprensa.

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Exames laboratoriais são aguardados para confirmar circunstâncias da morte

As autoridades policiais agora aguardam os resultados de exames laboratoriais especializados que poderão determinar com precisão se os cortes profundos foram realizados enquanto a vítima ainda estava viva ou se ocorreram após o óbito. Essas informações são cruciais para a qualificação jurídica do crime e para o andamento do processo judicial que será instaurado.

Logo após a ocorrência, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) emitiu nota informando que a administração da penitenciária havia instaurado um procedimento interno administrativo para apurar todas as circunstâncias que permitiram a ocorrência do crime dentro da unidade prisional.

Conexão com crime anterior revela ciclo de violência dentro do sistema prisional

As investigações revelaram um vínculo perturbador entre este crime e outro ocorrido na mesma penitenciária apenas alguns meses antes. Deylon Moura Santos era apontado pelas autoridades como cúmplice do próprio autor no assassinato de Douglas Cristóvão, ocorrido em janeiro deste ano dentro da mesma unidade prisional.

Naquele caso, o crime foi motivado por homofobia, conforme confessou o autor durante as investigações. Ele alegou ter sofrido hostilizações constantes relacionadas à sua orientação sexual, além de ameaças de integrantes do Comando Vermelho, uma das facções criminosas que atuam dentro do sistema prisional mineiro.

O assassinato de Douglas Cristóvão ocorreu no dia 12 de janeiro e apresentou características particularmente brutais. A apuração demonstrou que a vítima foi agredida, asfixiada com uma corda e posteriormente esquartejada dentro de sua cela utilizando uma lâmina de barbear. O crime aconteceu enquanto os demais presos estavam no pátio durante o período conhecido como 'banho de sol'.

Sistema prisional mineiro sob escrutínio após série de violências

Esta não é a primeira vez que a Penitenciária de Muriaé ganha destaque nos noticiários por casos de extrema violência. Recentemente, outro preso foi encontrado morto na mesma unidade com as mãos e pés decepados, em um crime que também está sendo investigado sob a suspeita de motivação homofóbica.

Os casos sucessivos colocam em evidência as condições de segurança dentro do sistema prisional mineiro e levantam questionamentos sobre a capacidade das autoridades em prevenir este tipo de violência extrema entre os detentos. A Sejusp tem reiterado que mantém procedimentos de investigação interna sempre que ocorrem incidentes graves dentro das unidades sob sua administração.

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Com o inquérito encerrado, o caso agora segue para o Ministério Público de Minas Gerais, que terá a responsabilidade de oferecer denúncia contra o autor e levar o processo à Justiça. As penas para homicídio triplamente qualificado podem chegar a 30 anos de reclusão, conforme previsto na legislação penal brasileira.