Influencer argentina acusada de racismo no Rio retorna a Buenos Aires após pagar caução milionária
A advogada e influencer argentina Agostina Páez, de 29 anos, retornou a Buenos Aires nesta quarta-feira, 1° de abril de 2026, após pagar uma caução equivalente a 60 salários mínimos, cerca de R$ 97 mil, determinada pela Justiça do Rio de Janeiro. Ela estava respondendo por acusações de racismo em um bar de Ipanema, ocorridas em janeiro deste ano.
Processo judicial e medidas cautelares
O julgamento da influencer teve início no dia 24 de março, com a defesa e o Ministério Público do Rio de Janeiro concordando que, se condenada, ela cumprirá a pena na Argentina. No Brasil, o crime de injúria racial é equiparado ao de racismo, com pena de prisão de 2 a 5 anos, além do pagamento de multa.
Páez chegou a ser presa no dia 6 de fevereiro, mas liberada horas depois. Posteriormente, foi submetida a medidas cautelares, incluindo retenção de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica e proibição de deixar o país. Na terça-feira, 31 de março, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro autorizou seu retorno à Argentina sob o pagamento da caução.
Declarações polêmicas e arrependimento
Ao chegar em Buenos Aires, a advogada afirmou a jornalistas que passou por um "calvário", embora tenha reconhecido estar arrependida de "ter reagido desta maneira" no bar. Ela disse não ser racista e culpou a severidade das leis brasileiras, orientando turistas a conhecerem as normas do país antes de viajarem.
"Há uma lei no Brasil que é muito severa", alegou Páez. "Nunca contaram a minha parte da história e sou inimiga pública no Brasil." A influencer deverá manter endereço e contatos atualizados por meio de seu advogado para receber intimações judiciais, conforme exigido pela Justiça.
Entenda o caso de injúria racial
Segundo a denúncia, o incidente ocorreu em 14 de janeiro, quando a turista se envolveu em uma discussão com o gerente de um bar em Ipanema, motivada por um suposto erro no pagamento da conta. A vítima das ofensas verificou imagens de câmeras de segurança e solicitou que Páez permanecesse no local até a situação ser resolvida.
Os xingamentos racistas, então, começaram e foram gravados por um funcionário. A advogada chamou trabalhadores do bar de "negro" no sentido pejorativo e, ao deixar o local, falou "mono" (macaco, em espanhol). Um vídeo mostra o momento em que ela aparece, já na rua, imitando sons e movimentos de um macaco, enquanto outra mulher tenta levá-la embora.
Condições para a liberação e futuro do processo
O relator do caso considerou que a ré é primária, tem profissão definida e colaborou no desenrolar do processo, fatores que influenciaram a decisão de permitir seu retorno à Argentina. A caução paga garante que ela continuará respondendo pelo crime, mesmo fora do Brasil, com a possibilidade de cumprir pena em seu país de origem, se condenada.
Este caso destaca a gravidade das leis brasileiras contra crimes raciais e serve como alerta para turistas sobre a importância de respeitar as normas locais, especialmente em questões sensíveis como discriminação.



