Idoso de 61 anos é preso com estufa de maconha em Rorainópolis, RR; defesa alega uso medicinal
Idoso preso com estufa de maconha em Roraima; defesa cita uso medicinal

Idoso é preso preventivamente após polícia encontrar estufa de maconha em propriedade rural de Rorainópolis

A Polícia Militar e a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) prenderam em flagrante, no último sábado (31), um idoso de 61 anos que mantinha uma estufa com plantas de maconha em sua propriedade rural, localizada na Vicinal 03, em Rorainópolis, interior de Roraima. José de Maria Menezes da Silva, conhecido como "Zé Valdo", foi submetido a audiência de custódia no domingo (1º), onde o juiz Raimundo Anastácio Carvalho decretou sua prisão preventiva.

Defesa alega uso pessoal para alívio de dores no corpo

Durante a audiência, o advogado de defesa, José Milton Medeiros, apresentou argumentos em favor do acusado. Ele afirmou que Zé Valdo consome cerca de 20 gramas de maconha por dia, o equivalente a 15 a 20 cigarros, para aliviar dores intensas no corpo, especialmente nas costas. A defesa destacou que o idoso é um produtor rural legítimo, com plantações de mil pés de açaí e 150 de cupuaçu, tentando assim dissociar a imagem de traficante.

Questionado sobre a quantidade de droga encontrada, o advogado minimizou a escala da plantação, afirmando que havia apenas de 10 a 12 pés de maconha, contrariando a estimativa policial de cerca de 50 mudas. Além das plantas, foram apreendidos 416 gramas de maconha já seca e prensada, sementes para plantio e duas balanças de precisão.

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Juiz rejeita tese de uso pessoal e decreta prisão preventiva

O magistrado Raimundo Anastácio Carvalho, no entanto, não aceitou os argumentos da defesa. Em sua decisão, ele considerou que a presença da estufa, das balanças de precisão e outros apetrechos típicos de traficância indicam dedicação à comercialização da droga, e não mero uso próprio. O juiz enfatizou que, nesta fase de cognição sumária, os indícios são suficientes para manter a prisão.

"O custodiado mantinha uma estufa (plantio de cerca de 50 mudas) e possuía apetrechos típicos de traficância, notadamente duas balanças de precisão, o que enfraquece, nesta fase de cognição sumária, a tese de mero uso próprio e indica dedicação à comercialização", declarou o magistrado em sua fundamentação.

Histórico criminal e posse irregular de arma agravam situação

A situação do idoso se complicou ainda mais com a revelação de seu histórico criminal. Zé Valdo já havia sido condenado e cumpriu pena de cinco anos por tráfico de drogas em 2007, fato que pesou na decisão judicial. Além disso, durante a operação policial, foi encontrada uma arma de fogo em posse irregular do acusado, embora a defesa alegue que o equipamento não funciona.

O Ministério Público manifestou-se favoravelmente à conversão da prisão em flagrante em preventiva, enquanto a defesa entrou com pedido de liberdade provisória, que foi negado. O juiz justificou a manutenção da prisão com base na necessidade de garantia da ordem pública.

Operação policial e confissão do acusado

A prisão ocorreu após monitoramento da propriedade pelas equipes policiais, que identificaram o cultivo da droga. Ao chegarem ao local, os agentes encontraram Zé Valdo deitado em uma rede. Inicialmente, ele negou a posse de produtos ilícitos, mas durante as buscas, foram localizados dois pacotes de maconha escondidos em sacos plásticos próximos ao telhado da casa.

Diante das evidências, o idoso confessou o crime e levou os policiais até o local do plantio, uma área de mata afastada da residência onde funcionava a estufa. Após o flagrante, ele foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Rorainópolis, onde seu histórico criminal foi confirmado.

A defesa ainda tentou explicar a presença das balanças de precisão, alegando que eram utilizadas para medir adubos, potássio e ureia nas outras plantações. Além disso, o advogado relatou que a denúncia partiu de um cidadão que teria ficado insatisfeito por Zé Valdo se recusar a vender drogas para ele, prometendo então delatá-lo às autoridades.

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