Polícia prende homem que fingia ser presidente de órgão federal inexistente para aplicar golpes
Homem preso por fingir ser presidente de órgão federal inexistente

Homem é preso por criar órgão federal falso para aplicar golpes em prefeituras e ONGs

A Polícia Civil do Paraná efetuou a prisão de Evandro Dal Molin nesta sexta-feira (17), na cidade de São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba. O indivíduo é investigado por criar um órgão federal inexistente para aplicar golpes financeiros em empresários, organizações não governamentais, prefeituras e câmaras municipais em diversas localidades do estado e também em outras unidades da federação.

Falsa autoridade federal

Dal Molin se apresentava publicamente como presidente do 'Marco da Criança e do Adolescente', supostamente vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Em seu cartão de visitas, constavam o brasão de armas do Brasil e o nome completo do ministério, elementos que conferiam uma aparência de legitimidade à sua falsa representação.

Para reforçar a credibilidade de sua farsa, o investigado publicava regularmente em redes sociais fotografias tiradas no Congresso Nacional, em Câmaras Municipais e ao lado de autoridades políticas reconhecidas. Ele chegou a conceder entrevistas para portais de notícias, discorrendo sobre a suposta atuação do órgão fictício que liderava.

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Métodos de atuação fraudulentos

Segundo a delegada El Santos de Freitas Cavalcanti, responsável pelas investigações, Dal Molin utilizava uma estratégia sofisticada de manipulação de contexto. "Ele se aproveitava de eventual sessão pública, de qualquer evento político, e levava um assessor para fazer imagens dele. A partir disso, ele modificava o contexto daquela imagem. Ele fazia com que parecesse que ele de fato fosse uma autoridade convidada", explicou a delegada.

Entre as atividades fraudulentas identificadas pela polícia estão:

  • Cobrança de valores para liberação de verbas públicas que nunca eram efetivamente repassadas às vítimas
  • Reconhecimento de prefeitos como "Prefeito Amigo da Criança", destacando gestões municipais
  • Promessas de financiamento para eventos de ONGs que não se concretizavam
  • Proposta de negócios envolvendo aluguel de veículos para o Governo Federal com retornos financeiros irreais

Desmentido oficial e crimes imputados

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania emitiu nota oficial esclarecendo que não mantém "qualquer vínculo funcional, contratual ou institucional do sr. Evandro Luiz Dal Molin com o Ministério". A pasta afirmou ainda que não existe, em sua estrutura regimental, nenhum órgão, programa ou iniciativa denominada "Marco da Criança e do Adolescente".

Diante da utilização indevida de referências ministeriais, o órgão federal adotou providências administrativas e encaminhou o caso à Advocacia-Geral da União (AGU), que solicitou a remoção de todas as publicações contendo símbolos nacionais ou referências à República Federativa do Brasil.

Evandro Dal Molin é investigado pelos seguintes crimes:

  1. Estelionato
  2. Falsificação de documentos
  3. Usurpação de função pública
  4. Lavagem de dinheiro (suspeita)

Prejuízos financeiros e medidas judiciais

Até o momento, a polícia já ouviu cinco vítimas que somam prejuízos de aproximadamente R$ 350 mil. As investigações indicam que os crimes vinham sendo cometidos desde pelo menos 2020, com suspeitas de que existam mais vítimas que ainda não procuraram as autoridades.

Em um dos casos relatados, Dal Molin prometeu R$ 25 mil para a realização de um evento de uma ONG, mas o valor nunca foi depositado. "Duas semanas antes do evento, conforme ele disse que o valor estaria na conta, liguei novamente [para ele]. Ele prometeu que, dois dias antes do evento, o dinheiro estaria na conta. Chegou o dia e o dinheiro não caiu na conta", relatou uma das vítimas.

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Outro golpe documentado envolvia a suposta compra de veículos que seriam alugados para o Governo Federal. "Eu ia receber uma parcela mensal de R$ 8 mil por mês de aluguel desses carros. Depois a gente descobriu que era tudo mentira, não existe", contou outro prejudicado.

A Justiça determinou, além da prisão preventiva do investigado, o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens. Durante o interrogatório, Dal Molin optou por permanecer em silêncio. Sua advogada afirmou que não teve acesso ao processo e, por essa razão, decidiu não se manifestar sobre o caso.

As investigações continuam em andamento para apurar a extensão completa dos golpes aplicados e identificar possíveis cúmplices na elaboração e execução do esquema fraudulento que se passava por órgão federal legítimo.