Guarda municipal preso em SP por ligação com facções e venda de armas
Guarda municipal preso por ligação com facções criminosas

Um guarda municipal de Indaiatuba, no interior de São Paulo, foi preso nesta terça-feira (7) suspeito de manter vínculos com organizações criminosas e participar do comércio ilegal de armamentos. A detenção ocorreu no âmbito da operação "Criptonita", conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, que investiga uma rede especializada em extorsão e sequestros.

Investigação revela conexões perigosas

Álvaro Augusto Barbosa dos Santos Ribeiro, de 34 anos, é apontado pelas autoridades como integrante de uma quadrilha que atuava em crimes de alto impacto. Mensagens interceptadas pela Polícia Civil durante a investigação demonstram que o agente público participava ativamente de negociações para a venda de armas de fogo, incluindo revólveres calibre .38, pistolas 9 mm e até mesmo um fuzil calibre 556.

Os investigadores encontraram no celular do guarda municipal comunicados oficiais de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho. Entre o material apreendido, havia conteúdo que mencionava uma possível aliança entre esses grupos, elevando o nível de preocupação das autoridades sobre a infiltração criminosa em instituições públicas.

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Resposta institucional e afastamento

A Secretaria de Segurança Pública de Indaiatuba emitiu uma nota informando que está em andamento o processo de afastamento do agente pelo período de 60 dias. A pasta afirmou ainda que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e que acompanha o caso com atenção. A defesa de Ribeiro ainda não foi localizada para se manifestar sobre as acusações.

Operação Criptonita mira sequestradores milionários

A prisão do guarda municipal faz parte de uma investigação mais ampla que começou após o sequestro do operador de criptomoedas e influenciador digital Gabriel Spalone, em fevereiro de 2025. Segundo as apurações, Spalone teria recebido valores para comprar criptomoedas e realizar movimentações financeiras para o grupo criminoso, mas as transações foram bloqueadas por instituições financeiras, o que motivou o sequestro.

O valor envolvido na disputa chega a impressionantes R$ 70,8 milhões, segundo os investigadores. Spalone já é réu na Justiça por furto qualificado e associação criminosa pelo desvio ilegal de mais de R$ 146 milhões de um banco via PIX no ano passado. Após ser preso, o influenciador foi solto para responder aos crimes em liberdade.

Violência e cativeiro

O sequestro de Spalone ocorreu quando ele foi abordado por criminosos no Shopping Cidade Jardim, na Zona Sul de São Paulo. A vítima foi levada para um cativeiro em um sítio em Santa Isabel, na Grande São Paulo, onde foi agredida e ameaçada para que conseguisse reaver a quantia milionária. Spalone foi libertado por policiais depois que sua namorada pediu ajuda, após receber mensagens de celular avisando do sequestro.

Mais prisões e apreensões

Até a última atualização, quatro alvos haviam sido presos na operação, incluindo uma detenção em Natal, capital do Rio Grande do Norte. A polícia e o MP pediram as prisões por 30 dias por entender que são medidas necessárias para a continuidade das investigações. As ações ocorrem na capital paulista, Grande São Paulo, e nas regiões de Campinas e Sorocaba.

Foram mobilizados 54 policiais civis, incluindo equipes especializadas do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) e do Grupo Especial de Reação (GER), além de agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público.

Patrimônio apreendido

Além das prisões, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão nos endereços dos investigados. Entre os itens apreendidos estão:

  • Três veículos esportivos de luxo: um carro Porsche, uma picape Nissan Frontier e uma moto Kawasaki
  • Celulares, notebook e máquina de contar dinheiro

O poder judiciário também autorizou a quebra do sigilo de mensagens telefônicas para identificar a estrutura completa da organização criminosa, indicando que as investigações devem se aprofundar nos próximos dias.

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