Casos de furto de vírus na Unicamp: pesquisadora presa e marido investigado pela Polícia Federal
Furto de vírus na Unicamp: casal é investigado pela Polícia Federal

Casos de furto de vírus na Unicamp: pesquisadora presa e marido investigado pela Polícia Federal

A Polícia Federal (PF) está investigando o casal Soledad Palemeta Miller e Michael Edward Miller pelo furto de amostras de vírus de laboratórios da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). As imagens de câmeras de segurança do laboratório de virologia, que possui nível máximo de biossegurança (NB-3), mostram que os momentos em que Michael saiu do espaço com caixas coincidem com o desaparecimento do material biológico, conforme relato da corporação.

Detalhes da investigação e prisão em flagrante

Segundo a PF, as imagens não foram divulgadas publicamente, mas seu conteúdo foi relatado pela Unicamp, que indicou Michael como principal suspeito ao acionar as autoridades. O delegado-chefe da Polícia Federal em Campinas, André Almeida de Azevedo Ribeiro, afirmou que ainda não é possível confirmar o conteúdo das caixas, mas há indícios da participação do casal no crime. "Ele é apontado como possível coautor no crime, mas isso ainda está sob investigação", declarou o delegado.

Soledad Miller foi presa em flagrante pela Polícia Federal após ser localizada em um carro com o marido, enquanto se dirigia a um centro médico. Ela optou por permanecer em silêncio durante a prisão, direito constitucional garantido pela PF. Na audiência de custódia, a Justiça Federal concedeu liberdade provisória à pesquisadora, impondo condições como pagamento de fiança, comparecimento mensal à 9ª Vara Federal, proibição de deixar Campinas por mais de cinco dias e restrição de acesso aos laboratórios da Unicamp envolvidos no caso.

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Material furtado e localização das amostras

O material biológico furtado inclui vírus como H1N1 e H3N2, causadores da gripe tipo A, além de outros vírus humanos e suínos. Todas as amostras foram encaminhadas ao Ministério da Agricultura e Pecuária, que mantém sigilo sobre os tipos virais específicos. A PF garante que todas as amostras foram recuperadas, não houve contaminação externa e descarta a possibilidade de terrorismo biológico.

As buscas da Polícia Federal localizaram o material em diversos locais da Unicamp:

  • Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA): caixas com amostras dentro de tubetes em um freezer lacrado.
  • Laboratório de Doenças Tropicais (Instituto de Biologia): tubetes manipulados e abertos no espaço reservado a Soledad, com material descartado próximo ao refrigerador.
  • Laboratório de Cultura de Células (Instituto de Biologia): frascos descartados dentro de uma lixeira.

Soledad responderá na Justiça pelos crimes de furto de vírus, por colocar a saúde das pessoas em risco e pelo transporte sem autorização de material geneticamente modificado. Michael Miller, médico veterinário e doutorando em Genética e Biologia Molecular na Unicamp, ainda não foi ouvido na investigação. O g1 tenta contato com a defesa dele.

Cronologia do caso e impactos na segurança científica

O furto foi descoberto em 13 de fevereiro, quando uma pesquisadora notou o desaparecimento de caixas com amostras do laboratório de virologia. Em 23 de março, a PF interditou temporariamente laboratórios e realizou buscas, recuperando o material. A Sociedade Brasileira de Virologia acompanha a investigação e reforça a confiança nos protocolos de segurança científica.

Este caso destaca questões críticas sobre o manejo de material biológico perigoso em instituições de pesquisa, levantando debates sobre biossegurança e responsabilidade profissional no ambiente acadêmico brasileiro.

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