Paraguai entrega à polícia brasileira homem foragido há 30 anos por feminicídio em Londrina
A polícia do Paraguai entregou, nesta quarta-feira (15), na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, um homem foragido há mais de 30 anos, condenado por um brutal feminicídio cometido em Londrina, no norte do estado. Marcos Panissa, que matou sua ex-esposa, Fernanda Estruzani Panissa, com 72 facadas em 1989, foi localizado e preso em território paraguaio após uma investigação da Polícia Federal em conjunto com a Interpol.
Crime brutal e fuga prolongada
O crime ocorreu no dia 6 de agosto de 1989, no apartamento onde Fernanda morava, no centro de Londrina. Na época, ela tinha 21 anos e Panissa, 23. O assassino confessou ter cometido o crime por ciúmes, não aceitando o fim do casamento e o fato de a ex-esposa estar iniciando um novo relacionamento. O caso, que chocou a sociedade local, foi até abordado no programa Linha Direta, da TV Globo.
Panissa foi julgado e condenado enquanto estava foragido. Ele estava sendo procurado desde 1995, quando não compareceu ao terceiro julgamento e teve a prisão preventiva decretada. Em 2008, uma mudança na lei permitiu que ele fosse julgado à revelia, sendo condenado a 21 anos e 6 meses de prisão em regime fechado, pena posteriormente reformada para 19 anos e 6 meses em 2010.
Operação conjunta e prisão no Paraguai
A investigação da Polícia Federal indicou a presença de Panissa no Paraguai, onde ele vivia com uma identidade falsa. Agentes da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad) conseguiram localizá-lo e prendê-lo em San Lorenzo, enquanto ele dirigia um carro. Ele foi expulso do país e entregue às autoridades brasileiras no mesmo dia.
Segundo a PF, Panissa está em Foz do Iguaçu aguardando decisão judicial sobre em qual unidade prisional irá cumprir a pena. A promotora de acusação na época, Susana Lacerda, classificou a prisão como uma vitória, destacando que o réu acreditava na impunidade durante todo o tempo em que esteve foragido.
Vida discreta com identidade falsa
As investigações revelaram que Panissa vivia uma vida pacata em San Lorenzo, no interior do Paraguai, com uma nova família e rotina discreta. Ele trabalhava no comércio de ferragens, importando produtos do Brasil e distribuindo em lojas locais. Sua companheira e filha adulta não sabiam da verdadeira identidade dele nem do crime cometido, segundo as autoridades.
O advogado de defesa, Antônio Carlos Andrade Viana, que atua no caso desde a década de 1990, afirmou que vai avaliar a legalidade da prisão e pedirá a revisão da pena, embora reconheça que Panissa confessou o crime e perdeu a cabeça.
Prazos e risco de prescrição
Em 2018, a juíza Elisabeth Khater destacou no processo que, caso Panissa não fosse encontrado até novembro de 2028, o crime iria prescrever. Na ocasião, a magistrada solicitou à Interpol que prorrogasse a validade do alerta na Difusão Vermelha. A prisão evita que o crime prescreva e garante o cumprimento da pena após mais de três décadas de impunidade.
A entrega na Ponte da Amizade marca o fim de uma longa busca por justiça para a família de Fernanda, que assistiu publicamente ao brutal assassinato e às ofensas à honra da vítima, lembrada como uma pessoa alegre que gostava de dançar e se divertir.



