Flávio Campana vai a júri popular por assassinato de bailarina Magó no Paraná
Flávio Campana vai a júri popular por assassinato de bailarina Magó

Flávio Campana será submetido ao júri popular por assassinato de bailarina Magó no Paraná

Flávio Campana, acusado de matar a bailarina Maria Glória Poltronieri Borges, conhecida como Magó, será submetido ao Tribunal do Júri no Paraná. A decisão final partiu do Supremo Tribunal Federal (STF), que não aceitou o recurso apresentado pela defesa do réu, encerrando assim as possibilidades de apelação.

Processo judicial e decisões anteriores

De acordo com o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), a data do julgamento será definida pela Vara Criminal de Mandaguari, comarca onde o Tribunal do Júri será realizado. Campana é réu por homicídio qualificado, estupro e ocultação de cadáver, com o processo sob sigilo de Justiça.

Em março de 2023, o TJ-PR já havia determinado que Campana deveria ser submetido a júri popular. A defesa recorreu da decisão em várias instâncias, mas todos os recursos foram negados. Bruno Macedo, advogado de Campana, recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em abril de 2024, mas meses depois o STJ manteve a decisão.

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Com mais uma negativa, a defesa levou o caso ao STF, que publicou a definição neste ano, negando o recurso e fazendo o caso transitar em julgado – momento em que uma decisão judicial se torna definitiva, sem caber mais recursos.

Andamento do caso e expectativas

O Ministério Público do Paraná (MP-PR), que acompanha o andamento do caso, explicou que o processo já retornou à Comarca de Mandaguari e está em fase de levantamento de testemunhas. Também está sendo analisada a necessidade de eventuais diligências complementares por parte do MP e da defesa.

Israel Batista de Moura, assistente de acusação e advogado da família de Magó, disse que espera que o julgamento pelo Tribunal do Júri seja marcado para acontecer ainda neste semestre.

Quem era Magó e como ocorreu o crime

Maria Glória Poltronieri Borges tinha 25 anos quando foi assassinada. Magó, como era conhecida, era bailarina, atriz e professora de capoeira, além de aluna do curso de Artes Visuais da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Durante a carreira artística, atuou em projetos na região de Maringá, com participação em espetáculos e iniciativas culturais locais.

Magó foi encontrada morta perto de uma cachoeira na área rural de Mandaguari, em janeiro de 2020. De acordo com a família, ela tinha ido ao local rezar e se reconectar com a natureza. A irmã da bailarina foi quem encontrou o corpo em uma trilha.

Um dos laudos periciais da época descreveu que Maria Glória tentou se defender antes de ser morta, com marcas roxas nos braços, ombro e cintura. O laudo também apontou que o assassinato ocorreu cerca de dez horas antes de o corpo ser encontrado. A Polícia Científica informou que Magó foi morta por asfixia e que o corpo apresentava sinais de violência sexual.

Investigação e acusação

Em um mês, mais de 50 pessoas foram ouvidas pelas polícias de Mandaguari e Maringá. Durante a investigação, Flávio Campana já era monitorado pela corporação. Ele e Magó não se conheciam.

Materiais genéticos encontrados nas roupas e no corpo de Maria Glória foram encaminhados para a Polícia Científica em Curitiba. Após análise, foi confirmado que o material era de Campana. No mesmo dia, um mandado de prisão contra ele foi expedido.

Flávio Campana foi preso em fevereiro de 2020, em Apucarana, apresentando várias marcas de arranhão pelo corpo. Segundo a polícia, essa seria uma prova de que ele entrou em luta corporal com a bailarina.

"Não há dúvida nenhuma sobre a participação desse homem na morte de Maria Glória, o exame deu 100% compatível com os materiais genéticos encontrados no corpo e na calcinha da vítima", afirmou o delegado de homicídios de Maringá, Diego Almeida.

Conforme a polícia, Campana já foi condenado por estupro em 1998 e tem várias passagens por agressão a mulheres.

Depoimento do acusado

No primeiro depoimento à polícia, em 4 de fevereiro, Campana relatou que não tinha visto Magó na cachoeira. Ao ser questionado sobre lesões nos braços, disse que as marcas eram de machucados antigos.

Entretanto, após ser preso e confrontado com o resultado do exame de DNA, o acusado afirmou ter feito sexo com consentimento da vítima e negou o homicídio.

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"Desde o início das nossas investigações nós estávamos em contato com ele e, por várias vezes, ele negou qualquer contato com a Magó. Só depois de ser confrontado com o exame de DNA é que ele acabou alegando que praticou sexo com ela", disse o delegado.