Caso de família desaparecida no RS: PM ex-companheiro preso e investigação com vestígios de sangue
O que começou com uma publicação suspeita em rede social sobre um suposto acidente de trânsito, que a Polícia Civil garante nunca ter ocorrido, transformou-se em uma complexa investigação criminal no Rio Grande do Sul. Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, estão desaparecidos desde o final de janeiro, desencadeando uma busca intensa das autoridades.
Prisão do suspeito e silêncio do acusado
Após mais de quinze dias de buscas, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-companheiro de Silvana, foi preso temporariamente nesta terça-feira, dia 10. A prisão, com prazo máximo de trinta dias, foi decretada enquanto a polícia aprofunda as investigações sobre o possível envolvimento do PM no desaparecimento da família. Durante a prisão, Cristiano optou por permanecer em silêncio, não fornecendo declarações às autoridades.
Em nota oficial, a Brigada Militar informou que o policial será afastado do serviço policial imediatamente. A Corregedoria-Geral da corporação está acompanhando de perto o desenrolar do caso, que tem gerado grande comoção na região de Cachoeirinha, cidade onde os fatos ocorreram.
Vestígios de sangue e perícias em andamento
A perícia criminal encontrou vestígios de sangue na casa de Silvana Germann de Aguiar, material que foi coletado na quinta-feira, dia 5. Além da residência da vítima, os peritos também examinaram dois veículos pertencentes à família e a casa do casal de idosos, Isail e Dalmira.
O delegado Anderson Spier, responsável pela investigação, explicou que foram identificados diversos vestígios de material genético, incluindo impressões digitais e sangue. "Todos esses vestígios foram devidamente colhidos por eles e agora seguem para análise no laboratório do IGP", afirmou o delegado, referindo-se ao Instituto-Geral de Perícias.
Conforme detalhado pelas autoridades, o sangue foi localizado dentro do banheiro e em uma área nos fundos da casa de Silvana. Curiosamente, não havia sinais de luta corporal ou de tentativa de montagem de cena no local. "Os peritos entenderam que o local estava íntegro. Não tinha nenhuma alteração que sugerisse alguma espécie de luta dentro da residência", complementou Spier.
Áudios reveladores e cartucho de festim
Após a prisão, a Polícia Civil divulgou áudios atribuídos ao suspeito. Em uma das gravações, enviada a uma conhecida durante a semana do desaparecimento, Cristiano pergunta sobre o andamento da investigação e demonstra impaciência com o trabalho policial. "Aproveitar e ver com o teu parente aí, ver o que eles conseguiram de imagem pra nós aí. Se a gente deixar só por eles (polícia), parece que não está progredindo", disse ele.
No dia 1º de fevereiro, o PM enviou uma foto de dentro da casa dos idosos, mostrando um veículo que pertence ao casal. Em outro áudio, Cristiano admitiu ter entrado várias vezes nas propriedades da família Aguiar, alegando cuidar dos animais de estimação. "Eu só estou indo muito na casa da Silvana, todos os dias, porque tem um cachorro e um gato lá. Tanto que hoje eu não fui ainda, eu preciso levar ração", afirmou.
Outro elemento intrigante da investigação é o cartucho de festim encontrado na casa do casal de idosos. Esse tipo de munição simula um disparo real, com barulho e fumaça, mas não arremessa projétil, sendo comum em treinamentos ou cerimônias. A polícia confirmou a natureza do objeto, que agora integra o conjunto de provas a serem analisadas.
Detalhes do desaparecimento e contexto familiar
Silvana Germann de Aguiar foi vista pela última vez no dia 24 de janeiro. Na mesma data, uma publicação em seu perfil nas redes sociais afirmava que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas estava bem. A Polícia Civil, no entanto, assegura que o acidente nunca aconteceu e que a postagem tinha como objetivo despistar o desaparecimento.
Desde então, o celular de Silvana permanece desligado e ela não estabeleceu nenhum contato. Alertados por vizinhos sobre a publicação suspeita, seus pais saíram para procurá-la no domingo, dia 25. Segundo o delegado Anderson Spier, o casal chegou a ir a uma delegacia distrital para registrar o sumiço, mas a unidade estava fechada. Após essa tentativa, eles também desapareceram.
O carro de Silvana foi encontrado na garagem de sua casa, com a chave no interior da residência, reforçando a tese de que ela não viajou. Imagens de câmeras de segurança capturaram movimentações atípicas na noite de 24 de janeiro. Um carro vermelho entrou na residência da filha às 20h34 e saiu oito minutos depois. Às 21h28, o veículo de Silvana entrou na garagem. Mais tarde, às 23h30, outro carro chegou, permanecendo por doze minutos antes de partir.
Silvana é filha única do casal e morava na mesma região dos pais. Ela se apresentava como vendedora de cosméticos e trabalhava em conjunto com Isail e Dalmira, que eram proprietários de um pequeno mercado anexo à residência da família. Vizinhos e parentes descrevem o casal como pessoas queridas e tranquilas, mantendo um bom relacionamento com a filha.
Situação do filho e andamento das investigações
Cristiano e Silvana têm um filho de nove anos, que morava com a mãe, mas passava os fins de semana na casa do pai. Com o desaparecimento de Silvana, Cristiano procurou o Conselho Tutelar, que recomendou que a criança ficasse sob sua guarda durante as investigações. Com a prisão do PM, o menino agora está sob os cuidados de uma parente por parte do pai.
Curiosamente, foi o próprio suspeito quem fez o primeiro boletim de desaparecimento de Silvana, adicionando mais uma camada de complexidade ao caso. A polícia continua aguardando os resultados finais das perícias realizadas nas casas, no minimercado da família e nas imagens de câmeras de segurança. Um celular encontrado nas imediações da casa dos idosos também está sendo analisado, na esperança de fornecer pistas cruciais.
Até o momento, nenhum dos corpos foi encontrado, e a motivação para o crime permanece um mistério. A investigação segue em ritmo acelerado, com a polícia dedicando todos os esforços para esclarecer os fatos e trazer justiça para as vítimas e seus familiares.



