Médico de Campinas tem identidade usada por falso profissional em Alumínio por mais de 5 anos
O médico Davi Beltrami Moreno Roberto da Costa Lima, que atua na região de Campinas, a cerca de 100 quilômetros de Alumínio (SP), teve seu nome e registro do Conselho Regional de Medicina (CRM) utilizados ilegalmente por um falso profissional que atuou na cidade paulista por mais de cinco anos. O médico afirmou ao g1 que nunca trabalhou em Alumínio e que já denunciou o crime na quinta-feira (19), assim que tomou conhecimento da situação.
Indignação e medidas legais
Costa Lima expressou profunda indignação com o caso, destacando que esta é a primeira vez em sua carreira que enfrenta uma fraude desse tipo. "Sinto revolta. É impressionante como uma pessoa, se passando por médico utilizando meus dados, atua por mais de cinco anos junto à Prefeitura da cidade de Alumínio sem nenhuma auditoria ou certificação sobre a identidade e expertise necessária", afirmou o profissional.
O médico ressaltou o perigo representado pela situação: "Me preocupo com os pacientes, que, sem saber, se expuseram a um risco incalculável ao serem atendidos por um falso médico, sem o conhecimento necessário para a atuação." Ele informou que já tomou as medidas legais cabíveis, incluindo a busca pela autoridade policial e a comunicação ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp).
Descoberta casual da fraude
A fraude foi descoberta de maneira casual, após uma funcionária da unidade de saúde realizar uma transferência via Pix para o suposto colega. Ela percebeu que o nome do destinatário no aplicativo do banco era diferente daquele que o homem usava para se identificar como médico. Essa discrepância levantou suspeitas que levaram à investigação do caso.
Histórico do falso profissional
Investigações no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) revelaram que o homem que se passava por médico possui, na verdade, um registro como enfermeiro. Ele atuou por quase uma década em hospitais e unidades de saúde no Pará, até 2019, com os seguintes registros:
- Unidade de Saúde da Família e Hospital Municipal de São Miguel do Guamá (2010-2013)
- Hospital Santa Clara em Ipixuna do Pará (2013-2016)
- Hospital Municipal Maria Santana Rocha Franco e Saúde da Família em Breves (2016-2017)
- Atuação no município de Bagre (2019)
Pouco tempo após o fim desses contratos no Pará, ele teria migrado para São Paulo para iniciar a fraude na área médica, atuando ilegalmente como médico em Alumínio.
Posicionamento das empresas envolvidas
A Servmed, empresa responsável pela contratação do falso médico, informou em nota que a responsabilidade pela verificação dos documentos era de uma outra empresa, a Consultmedic Gestão Na Área De Saúde Ltda., subcontratada por ela. A empresa afirmou que "foi surpreendida com a informação de inconsistências documentais" e que, ao tomar conhecimento da suspeita, comunicou as autoridades e passou a colaborar com a Polícia Civil.
A Servmed destacou ainda que, durante todo o período em que o profissional prestou atendimento no município de Alumínio — há mais de seis anos — não houve qualquer notícia de negligência, imperícia ou queixas formais relacionadas ao atendimento médico por ele realizado. A empresa reafirmou seu compromisso com a segurança do paciente, a legalidade e a transparência, colocando-se à disposição para colaborar com a apuração dos fatos.
Andamento das investigações
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que o caso é investigado pela Delegacia de Alumínio, que atua na coleta de depoimentos e análise de documentos. "Outras diligências seguem em andamento para o completo esclarecimento dos fatos", afirmou a SSP. A Prefeitura de Alumínio não se posicionou sobre o andamento de eventuais procedimentos sobre o caso, e ninguém da Consultmedic Gestão Na Área De Saúde Ltda. foi localizado para comentar a situação.
O caso revela falhas graves nos processos de contratação e verificação de profissionais da saúde, colocando em risco a segurança dos pacientes e a integridade do sistema de saúde público. As investigações continuam para esclarecer todos os aspectos dessa fraude que durou mais de cinco anos antes de ser descoberta.



