Empresário preso por se passar por médico em hospital de Cananéia
Wellington Augusto Mazini Silva foi preso em 7 de janeiro após utilizar indevidamente o CRM de um médico, seu sócio em uma clínica na capital paulista, para realizar exames no hospital de Cananéia, no litoral sul de São Paulo. O caso, que está sendo investigado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), envolve acusações graves de exercício ilegal da profissão médica.
Pacientes relatam procedimentos inadequados e tratamento grosseiro
As mulheres atendidas pelo empresário Wellington Mazini descreveram situações de extremo desconforto durante os exames. Segundo relatos apresentados em ação judicial, Mazini demonstrou completa falta de técnica ao manusear equipamentos de ultrassom, deixou de seguir procedimentos básicos da prática médica e agiu com grosseria durante os atendimentos.
O advogado Bruno Ribeiro de Almeida, que representa cinco pacientes, destacou que a situação causou intenso constrangimento e sofrimento psíquico às mulheres, especialmente considerando a natureza íntima dos exames realizados. "Por acreditar estar sendo assistida por profissional regularmente habilitado, a Autora não formulou questionamentos, limitando-se a seguir as supostas orientações", afirmou o advogado em documentos judiciais.
Ação judicial pede indenização de R$ 250 mil por danos morais
Cinco mulheres entraram na Justiça solicitando reparação por danos morais no valor total de R$ 250 mil – equivalente a R$ 50 mil para cada uma. A ação destaca que as pacientes foram submetidas a exames de ultrassom transvaginal realizados por pessoa não habilitada, representando extrema exposição e vulnerabilidade.
Na petição judicial, o advogado Bruno Almeida argumenta que os procedimentos foram executados sem qualquer respaldo técnico ou habilitação legal, expondo as pacientes a riscos desnecessários à integridade física, psíquica e emocional. A ação foi protocolada de forma solidária, permitindo que qualquer um dos réus possa ser responsabilizado pelo pagamento integral da indenização.
Histórico de acusações semelhantes e resposta da defesa
Conforme apurado, Mazini já havia sido acusado de crimes semelhantes quatro meses antes, em Santo Amaro, na Grande São Paulo. Em setembro de 2025, um empresário denunciou ele e familiares por associação criminosa, estelionato, falsidade ideológica e apropriação indébita, alegando que Mazini teria realizado ao menos dez atendimentos médicos fraudulentos na região.
O Ministério Público denunciou Mazini por estelionato, exercício ilegal da medicina, falsidade material e perigo para a vida, com penas que podem chegar a 13 anos de prisão. A defesa, representada pelo advogado Celino Barbosa Netto, afirmou que a acusação é inflada e juridicamente controversa, ressaltando que o processo ainda está em fase inicial e que os fatos serão analisados pelo Judiciário.
Tribunal de Justiça nega pedido de soltura do empresário
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou em 13 de janeiro o habeas corpus que pedia a soltura de Mazini. A defesa havia alegado constrangimento ilegal e prejuízos à vida pessoal e profissional do empresário, mas os desembargadores entenderam que havia indícios suficientes de autoria e materialidade dos crimes.
Os magistrados consideraram que a liberdade do acusado representaria risco à sociedade, mantendo-o preso preventivamente. O advogado de defesa argumentou que a prisão "o expõe desnecessariamente ao ambiente prisional, com potencial de estigmatização social, abalo psicológico e prejuízo irreversível à sua trajetória educacional e profissional", solicitando a imposição de medidas cautelares alternativas.
O caso continua sob investigação do Cremesp e acompanhamento judicial, com desdobramentos tanto na esfera cível quanto na penal. As pacientes aguardam o desfecho das ações enquanto relatam os traumas vividos durante os atendimentos realizados pelo suposto falso médico.
