Ex-secretária de gabinete da Aleam tem prisão mantida por envolvimento com núcleo político do CV
A advogada Adriana Almeida Lima, ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), permanecerá presa após a Justiça negar mais um pedido de liberdade. Ela está entre os oito investigados detidos no estado durante a Operação Erga Omnes, que apura a atuação do chamado "núcleo político" do Comando Vermelho no Amazonas.
Decisão do STF mantém prisão preventiva
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou o habeas corpus impetrado pela defesa da advogada. A decisão, publicada na terça-feira (10), considerou que o STF não poderia julgar o pedido neste momento porque ainda não houve esgotamento das instâncias anteriores. O recurso foi apresentado após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) também negar a soltura.
Na petição ao STF, os advogados alegaram que não havia requisitos para manter a prisão preventiva e pediram a revogação da medida, com ou sem aplicação de cautelares. No entanto, Moraes entendeu que a manutenção da prisão é necessária diante dos indícios coletados.
Operação Erga Omnes e as acusações
A Operação Erga Omnes foi deflagrada em 20 de fevereiro e cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão no Amazonas e em outros estados. A ação resultou na prisão de investigados e na apreensão de carros de luxo, dinheiro em espécie e documentos. Segundo a polícia, nove suspeitos seguem foragidos, incluindo o apontado como líder do grupo.
De acordo com a decisão judicial, a prisão de Adriana Almeida Lima foi baseada em indícios de participação nos crimes e em provas coletadas durante a investigação. Entre os elementos citados estão:
- A apreensão de 523 tabletes de skunk e sete fuzis, que deram origem às investigações.
- Relatórios de inteligência financeira que apontam movimentação considerada atípica superior a R$ 70 milhões.
A Justiça também apontou risco à ordem pública e à investigação, destacando que o grupo teria atuação interestadual e capacidade financeira e operacional significativa. Segundo as autoridades, há ainda indícios de tentativa de infiltração em estruturas do Estado para obter informações sigilosas sobre investigações.
Esquema criminoso e movimentações financeiras
Segundo a polícia, a organização criminosa movimentou cerca de R$ 70 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões por ano desde 2018, e atuava em conjunto com traficantes do Amazonas e de outros estados. As investigações apontam que os suspeitos facilitavam a contratação de empresas de fachada nos setores de transporte e logística.
Na prática, essas empresas seriam usadas para comprar drogas na Colômbia e enviá-las a Manaus. Da capital amazonense, os entorpecentes seriam distribuídos para outras unidades da federação. Os investigados devem responder por:
- Organização criminosa
- Associação para o tráfico de drogas
- Corrupção ativa e passiva
- Violação de sigilo funcional
- Lavagem de dinheiro
- Ocultação de patrimônio
O grupo é suspeito de ajudar a organização criminosa a movimentar dinheiro e facilitar a logística do tráfico de drogas, com operações que se estendem além das fronteiras do Amazonas.
