Ex-prefeito de Campo Grande se torna réu por homicídio qualificado após matar comprador de sua casa
O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, passou oficialmente à condição de réu na Justiça por homicídio qualificado. A decisão foi proferida pelo juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, que aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul. Com esse ato judicial, Bernal agora responde formalmente a um processo criminal pela morte do servidor público Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos.
Entenda os detalhes do caso que chocou a capital sul-mato-grossense
Segundo as investigações do Ministério Público, o crime ocorreu dentro de uma residência que originalmente pertenceu a Alcides Bernal e foi posteriormente adquirida pela vítima. As apurações indicam que os dois homens não mantinham qualquer relação de amizade prévia, tendo estabelecido vínculo exclusivamente devido à negociação imobiliária do imóvel.
A acusação sustenta que o ex-prefeito teria agido movido por vingança, por não conseguir aceitar a perda da propriedade. O Ministério Público destacou ainda que o crime foi cometido com várias agravantes consideradas graves pela legislação penal brasileira.
Agravantes do crime apontadas pelo Ministério Público
- Motivo considerado torpe pela Justiça
- Uso de recurso que dificultou significativamente a defesa da vítima
- Fato de a vítima ser idosa, com 61 anos de idade
- Arma utilizada estaria com registro vencido e porte expirado
Além da ação penal, o Ministério Público também requereu o pagamento de indenização equivalente a dez salários mínimos pelos danos causados.
Decisão judicial estabelece próximos passos do processo
Ao aceitar a denúncia, o magistrado considerou que ela atende plenamente aos requisitos legais e apresenta indícios suficientes tanto de autoria quanto de materialidade do crime. Com base nessa avaliação, o juiz determinou uma série de medidas processuais importantes:
- Citação formal de Alcides Bernal para apresentar defesa por escrito no prazo máximo de dez dias
- Atuação imediata da Defensoria Pública caso o réu não constitua advogado particular
- Continuidade da coleta de provas complementares, incluindo laudos periciais e documentos relevantes
- Organização sistemática de todos os depoimentos, imagens e demais elementos colhidos durante o inquérito policial
O juiz Carlos Alberto Garcete também negou um pedido específico do Ministério Público para ouvir formalmente três testemunhas nesta fase processual. O magistrado entendeu que essa oitiva deveria ter ocorrido antes da apresentação da denúncia, para não prejudicar indevidamente o direito amplo de defesa garantido ao acusado.
Situação atual do ex-prefeito e andamento processual
Alcides Bernal permanece preso preventivamente enquanto aguarda os desdobramentos judiciais. Sua defesa já informou que irá se manifestar dentro dos prazos estabelecidos pelo processo. O caso agora entra na crucial fase de instrução, quando serão minuciosamente analisadas todas as provas disponíveis, ouvidas testemunhas-chave e apresentados os argumentos tanto da acusação quanto da defesa.
Essa etapa preparatória é fundamental antes de um eventual julgamento pelo Tribunal do Júri, que decidirá sobre a culpabilidade ou inocência do ex-prefeito. A complexidade do caso, envolvendo uma figura pública conhecida e um crime com múltiplas agravantes, promete manter o processo sob os holofotes da Justiça e da opinião pública por um bom tempo.



