Ex-nora negociou compra de arma para matar casal de pastores no Tocantins, aponta polícia
Ex-nora negociou arma para matar pastores no TO, diz polícia

Ex-nora de pastores assassinados negociou compra de arma para crime, revelam investigações

As investigações da Polícia Civil do Tocantins apontam que Janete Araújo Mesquita, ex-nora do casal de pastores Francilene de Souza Reis e Silva e Dorvalino das Dores da Silva, teria negociado a compra da arma de fogo utilizada para executar o duplo homicídio. O crime ocorreu em junho de 2025 em um assentamento na cidade de Pium, localizada na região central do estado.

Motivação seria vingança contra ex-marido

De acordo com o inquérito policial, a motivação principal para o assassinato do casal seria uma vingança direcionada ao ex-marido de Janete. A acusada estaria profundamente inconformada com o término do relacionamento, que aconteceu em 2022, e passou a proferir diversas ameaças de morte contra ele e sua família. Em uma dessas ameaças, ela teria afirmado explicitamente que desejava fazer com que ele "sentisse a mesma dor".

Atualmente, Janete está presa preventivamente. Além dela, também foram detidos o seu atual namorado, Ryan Brian Barbosa Ferreira, apontado como o executor material do crime, e Marcelo Bandeira Santos, que teria fornecido suporte logístico para a realização do homicídio.

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Áudios revelam negociação detalhada da arma

A TV Anhanguera obteve acesso exclusivo a áudios que comprovam a negociação para a aquisição da arma. Nas gravações, intermediadores discutem os valores e a logística da transação. Em um dos trechos, um homem detalha o pagamento: "Aí tu pega os duzentos, cem para mim, cem para tu, entendeu? Ela vai pagar os 6.300 no negócio. Ela tá com o dinheiro em espécie lá. Aí ela disse que pode na hora que tu quiser aí que tu sair, aí é só ligar para ela, entendeu?"

Outro áudio reforça que a acusada estava com os valores prontos para a entrega: "Ô, ela me ligou aqui agorinha, ô. Alô, que se mandar a localização aí ela vai lá sozinha também, se não quiser ir. E ela não mandou o PIX porque ela tá com dinheiro em espécie na mão dela. Tá lá no hotel onde ela tá, no apartamento."

Além dos áudios, a polícia também localizou uma foto de Janete ostentando uma arma de fogo, que serve como mais uma evidência no caso.

Investigação apura outros crimes possivelmente ligados à acusada

As investigações não se limitam ao duplo homicídio em Pium. A polícia também está apurando um possível envolvimento de Janete com a morte de outro ex-marido e o desaparecimento de um terceiro homem, com quem ela também teria tido relacionamentos anteriores.

Foi descoberto que a acusada utilizou um perfil falso nas redes sociais, se passando por um policial da ROTAM, para enviar ameaças e debochar da morte de um dos ex-companheiros, que foi assassinado em Goiás no ano de 2022.

Durante o interrogatório sobre o crime em Pium, quando questionada sobre quem seria Ryan, seu atual namorado, Janete afirmou categoricamente: "Desconheço". Contudo, fotos do casal foram encontradas durante as diligências do inquérito, contradizendo sua declaração.

Seis pessoas já foram indiciadas no caso

Ao todo, seis indivíduos foram indiciados pela morte do casal de pastores. Os três executores diretos responderão por homicídio qualificado, enquanto os demais envolvidos na transação da arma foram indiciados por crimes previstos no Estatuto do Desarmamento.

A defesa de Janete Araújo Mesquita e de Ryan Brian Barbosa Ferreira emitiu uma nota informando que ainda não teve acesso integral aos autos da investigação, o que impediria uma manifestação detalhada no momento atual. A advogada ressaltou que o processo tramita sob sigilo e que as alegações de defesa serão apresentadas no momento processual adequado, respeitando o direito ao contraditório.

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Sobre a investigação referente à morte do ex-marido em Goiás, a defesa afirmou que Janete ainda não possui advogado constituído para esse caso específico e que, como se trata de uma investigação em andamento sem denúncia formal, não houve notificação à defesa.

A defesa de Marcelo Bandeira Santos, suspeito de ter dado suporte ao crime em Pium, optou por não se manifestar. Os advogados dos demais indiciados não foram localizados para comentários.