Ex-gerente preso por extorsão e agiotagem após desviar R$ 10 milhões de fazenda no Tocantins
Ex-gerente preso por extorsão e agiotagem após desvio milionário

Ex-gerente de fazenda é preso por extorsão e agiotagem após desviar R$ 10 milhões no Tocantins

Péricles Antônio Pereira, ex-gerente da Fazenda Bacaba em Miranorte, foi preso preventivamente na última terça-feira (7) acusado de liderar um esquema de desvios que totalizou aproximadamente R$ 10 milhões entre 2021 e 2025. A Polícia Civil do Tocantins identificou que, após o registro do boletim de ocorrência em 2025, o investigado realizou pesquisas suspeitas na internet sobre superfaturamento e planejou uma possível fuga para Mato Grosso.

Pesquisas na web revelam tentativa de entender consequências legais

Segundo as investigações, Péricles fez buscas online utilizando seu nome completo seguido de perguntas específicas sobre processos criminais e planejamento financeiro. Entre as consultas estavam: "Funcionário superfaturou serviços e recebeu dinheiro de terceiros, como processar?" e "Funcionário superfaturou serviços e recebeu dinheiro de terceiros, como processar? sem provas e testemunhas". Além disso, pesquisou sobre renda passiva com aplicações de R$ 2,5 milhões em renda fixa e quanto dinheiro precisaria ter investido para parar de trabalhar aos 43 anos com um custo de vida mensal de R$ 20 mil.

Indícios de plano de fuga para Mato Grosso

Em outubro de 2025, o ex-gerente se candidatou para uma vaga de Coordenador Agrícola em Canarana, Mato Grosso, informando ter "grande interesse em regressar ao Mato Grosso". Paralelamente, realizou compras de materiais de construção e móveis com destino para Novo São Joaquim (MT), cidade onde sua esposa possui um imóvel. Esses movimentos foram interpretados pela polícia como preparativos para deixar o Tocantins.

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Operação policial bloqueia R$ 10 milhões e apreende provas

A prisão ocorreu em 7 de abril de 2026 durante uma operação que cumpriu mandados de busca e apreensão em Miranorte, Lajeado e Novo São Joaquim. A polícia determinou o bloqueio de R$ 10 milhões das contas de Péricles e de sua esposa, além de R$ 1,6 mil de uma empresa envolvida no esquema. As investigações, que começaram há seis meses após os proprietários da fazenda detectarem inconsistências financeiras, revelaram que o patrimônio do ex-gerente saltou de cerca de R$ 200 mil para R$ 1,9 milhão entre 2023 e 2024, sem comprovação da origem dos recursos.

Acusações de furto qualificado, lavagem de dinheiro e agiotagem

Péricles é investigado por furto qualificado mediante fraude, lavagem de dinheiro e agiotagem. A polícia aponta que ele superfaturava a prestação de serviços de terceiros e desviava a diferença entre os valores reais cobrados e os informados. Empresas relataram que o ex-gerente fazia cobranças intimidatórias, inclusive com uso de arma de fogo. Foi encontrada uma planilha com controles de valores ligados à prática de agiotagem, supostamente realizada com parte do dinheiro desviado.

Defesa alega inocência e destaca histórico profissional

A defesa de Péricles Antônio Pereira emitiu uma nota afirmando que ainda não teve acesso integral ao inquérito policial e se reserva ao direito de se manifestar posteriormente. Sustenta a inocência do investigado, destacando sua atuação de mais de 20 anos no meio rural sem histórico de irregularidades. A defesa também nega que o patrimônio tenha sido construído recentemente, argumentando que foi acumulado ao longo de anos de trabalho. "A divulgação prematura e descontextualizada de informações tem causado graves prejuízos à imagem de uma pessoa de reputação ilibada", afirma a nota, que confia na demonstração da inocência durante a apuração.

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