Justiça do Acre recebe denúncia contra empresários presos na Operação Inceptio por tráfico e lavagem
Empresários viram réus na Operação Inceptio por tráfico e lavagem

Justiça do Acre aceita denúncia contra empresários presos em megaoperação da Polícia Federal

A Justiça do Acre recebeu formalmente a denúncia contra empresários e outras pessoas presas durante a Operação Inceptio, realizada pela Polícia Federal em 2025. A decisão judicial, à qual o g1 teve acesso, transforma os investigados em réus e abre caminho para processo criminal por crimes graves.

Quem são os principais acusados?

Entre os denunciados estão os irmãos empresários John Muller Lisboa, Mayon Ricary Lisboa e Marck Johnnes Lisboa, além do primo deles, Douglas Henrique da Cruz, e o empresário André Borges. No total, 14 pessoas responderão pelos crimes investigados na operação que atingiu múltiplos estados.

Marck Johnnes foi apontado pelo Ministério Público do Acre como líder do grupo criminoso e teve prisão preventiva decretada novamente, apresentando-se à polícia nesta quinta-feira (16). A decisão judicial destaca seu papel central na coordenação das atividades ilícitas.

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Alcance nacional da organização criminosa

A Operação Inceptio ocorreu simultaneamente em Rio Branco (AC), Porto Velho (RO), Ubá (MG), Camaçari, Ilhéus e Salvador (BA), Cabedelo (PB) e São Paulo (SP), demonstrando a abrangência interestadual das atividades investigadas.

Os crimes atribuídos aos réus incluem:

  • Organização criminosa estruturada
  • Tráfico interestadual de drogas
  • Lavagem de dinheiro em larga escala
  • Dano qualificado ao patrimônio público

Como funcionava o esquema criminoso?

Segundo o Ministério Público, o grupo atuava de forma organizada com divisão clara de tarefas entre os integrantes. A organização era responsável pelo envio de drogas para outros estados, negociação dos entorpecentes e movimentação do dinheiro obtido com a atividade criminosa.

Os promotores afirmam que os envolvidos usavam termos codificados em conversas para tratar das atividades ilegais e realizavam negociações com movimentação de valores elevados, buscando ocultar a origem ilícita dos recursos.

Empresas de fachada e conexões com o poder público

Os irmãos Lisboa e seu primo Douglas são donos de várias empresas que organizam e promovem eventos no Acre. Duas empresas de Douglas foram responsáveis pela venda de camarotes privados e por trazer artistas para os shows da Expoacre Rio Branco 2025.

John Muller Lisboa ocupava um cargo em comissão na Secretaria de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre, com salário superior a R$ 6 mil, sendo exonerado no dia seguinte à sua prisão. Marck Johnnes é diretor geral da empresa Inove Eventos, que havia anunciado a vinda do DJ Alok para Rio Branco - show cancelado uma semana após as prisões.

Blocos financeiros e atuação prolongada

A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 130 milhões em contas bancárias do grupo investigado, além da apreensão de bens avaliados em aproximadamente R$ 10 milhões. A polícia descobriu que o dinheiro do tráfico era movimentado através de contas bancárias, criptomoedas e empresas de fachada.

De acordo com o delegado André Barbosa, da Delegacia de Repreensão a Entorpecentes da PF-AC, o grupo criminoso atua no Acre desde 2019 e foi descoberto durante investigação de outros crimes. "Identificamos que tinha um grupo de narcotraficantes que revendia drogas para os estados do Nordeste e Sudeste e para internalizar o dinheiro, utilizava diversas pessoas físicas e jurídicas para lavar dinheiro", destacou o delegado.

O g1 não conseguiu contato com as defesas dos acusados para comentar o recebimento da denúncia pela Justiça acreana.

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