Exército libanês acusa Israel de violar trégua anunciada por Trump
O Exército do Líbano denunciou nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026, violações por parte de Israel ao cessar-fogo anunciado horas antes pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump. Em resposta, o grupo Hezbollah lançou ataques contra posições israelenses, reacendendo tensões na região.
Disparos e bombardeios marcam início da trégua
Imediatamente após a entrada em vigor do cessar-fogo, que começou à meia-noite no horário local (18h de quinta-feira em Brasília), disparos foram ouvidos nos bairros do sul de Beirute, conforme relatos de jornalistas da AFP. O Exército libanês acusou Israel de cometer "atos de agressão" e realizar bombardeios que violam diretamente os termos da trégua.
O Hezbollah, por sua vez, afirmou ter atacado soldados israelenses em represália às ações de Israel. Imagens da AFPTV mostraram civis retornando ao sul da capital libanesa, área que esteve sob fogo intenso nas últimas semanas, enquanto meios de comunicação estatais libaneses reportaram "intensos disparos" acompanhando o início do acordo.
Contexto da guerra e esforços de paz
A trégua ocorre enquanto Washington intensifica esforços para alcançar um acordo que ponha fim à guerra com o Irã, iniciada quando Estados Unidos e Israel atacaram o país persa em 28 de fevereiro. O Líbano se envolveu no conflito em 2 de março, quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel.
Mais de duas mil pessoas morreram nos ataques israelenses ao Líbano, com pelo menos um milhão deslocadas e forças terrestres israelenses invadindo o sul do país. Trump afirmou que a trégua segue conversas "excelentes" com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, dois dias após o início de negociações de paz em Washington.
Reações internacionais e condições
O primeiro-ministro libanês saudou o acordo de cessar-fogo, assim como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Netanyahu celebrou a oportunidade de "paz histórica" com Beirute, mas reiterou sua exigência de desarmamento do Hezbollah como condição prévia.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, deu boas-vindas ao cessar-fogo e pediu que "todas as partes o respeitem plenamente". Ibrahim Mousawi, deputado do movimento xiita, assegurou que o Hezbollah respeitaria a trégua "com cautela", desde que houvesse "interrupção total das hostilidades" e Israel não a utilizasse para "assassinatos" de membros do grupo.
Desconfiança e perspectivas futuras
Enquanto alguns civis libaneses celebraram o acordo, expressando cansaço da guerra, outros demonstraram ceticismo. Tarek Bou Khalil, advogado em Beirute, comentou: "É sabido que não se pode levar Trump ao pé da letra, e que Netanyahu não é confiável".
Paralelamente, continuam as gestões sob auspícios do Paquistão para organizar uma segunda rodada de negociações entre EUA e Irã, após o fracasso da primeira em Islamabad. O mundo aguarda uma possível prorrogação do cessar-fogo de duas semanas com a República Islâmica, em vigor desde 8 de abril.
Trump afirmou que o Irã aceitou ceder seu urânio enriquecido, uma de suas exigências para um acordo com Teerã, enquanto Netanyahu e Aoun podem visitar a Casa Branca "nos próximos quatro ou cinco dias" - o que seria o primeiro encontro entre líderes de Israel e Líbano.



