Empresário de padaria de luxo em Santos é preso em operação da PF que mira R$ 1,6 bi
Empresário preso em Santos em operação da PF com MCs e R$ 1,6 bi

Empresário português é preso em megaoperação da PF em Santos

O empresário Fernando de Sousa, de origem portuguesa e sócio de uma padaria de luxo no bairro Ponta da Praia, em Santos, no litoral de São Paulo, foi preso durante a Operação Narco Fluxo, que investiga uma organização criminosa responsável por lavagem de dinheiro e transações ilegais que superam R$ 1,6 bilhão. A ação, da Polícia Federal (PF), também prendeu os cantores de funk MC Ryan SP e Poze do Rodo, além de influenciadores digitais como Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e Chrys Dias, que possui quase 15 milhões de seguidores.

Detenção e investigações em Santos

Fernando, de 68 anos, foi detido pela PF por conta de um mandado de prisão expedido pela 5ª Vara Federal em Santos, na Ponta da Praia. Além dele, outros 38 alvos são investigados pela corporação. Conforme apurado, o empresário era um dos responsáveis por "contas arrecadadoras utilizadas para fracionamento de depósitos de apostadores". Ele e outros dois investigados realizariam centenas de transferências destinadas à infraestrutura financeira do esquema criminoso.

Em entrevista à TV Tribuna, o advogado Armando de Mattos Júnior, que representa o empresário, disse que as investigações teriam relação com o setor tributário. Ele ressaltou, porém, que a defesa não teve acesso aos autos, que correm em segredo de Justiça. “Nós faremos o levantamento [das informações] e, aí sim, tomaremos as medidas cabíveis [...] A partir daí é que nós vamos pleitear algo com o magistrado para tentar a liberdade dele”, afirmou o advogado.

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Esquema une tráfico, jogos e influenciadores

Segundo a investigação, o esquema utilizou a indústria audiovisual e o showbusiness digital, unindo o tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais à imagem de influenciadores de massa. Ryan Santana dos Santos, de 25 anos, é um dos principais nomes do funk nacional. Em nota, a defesa dele disse que ainda "não teve acesso ao procedimento, que tramita sob sigilo", mas ressaltou a "absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras".

No caso de MC Poze do Rodo, que se chama Marlon Brandon Coelho Couto Silva e tem 27 anos, a defesa afirmou que "desconhece os autos ou teor do mandado de prisão" e que, quando tiver acesso aos documentos, "se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário". Poze do Rodo foi preso em casa, que fica em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.

Operação abrange oito estados e DF

Batizada de Operação Narco Fluxo, a ação conta com o apoio da Polícia Militar do Estado de São Paulo e envolveu cerca de 200 policiais federais. Eles cumpriram mandados judiciais, incluindo buscas e apreensões, em endereços nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás, além do Distrito Federal. No total, havia 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão.

Segundo as investigações, os envolvidos usavam um sistema para ocultar e dissimular valores, incluindo operações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos. Foram apreendidos veículos, valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos. Policiais também encontraram armas e um colar com uma imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar dentro de um mapa do estado de São Paulo.

As investigações continuam e os envolvidos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A operação destacou a complexidade do esquema, que mistura elementos do crime organizado com figuras públicas do entretenimento digital.

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