Empresário escapa de ataque com drone e granada por dívida agrícola em Goiás
Um empresário do setor agrícola foi alvo de uma tentativa de assassinato com uso de tecnologia avançada em Itaberaí, noroeste de Goiás. Criminosos utilizaram drones para lançar uma granada contra a residência da vítima, em um ataque motivado por uma dívida agrícola estimada em R$ 1,5 milhão, conforme revelaram as investigações da Polícia Civil.
Duas tentativas frustradas por falhas técnicas
De acordo com as autoridades, os criminosos realizaram duas tentativas de ataque entre os dias 15 e 17. Na primeira tentativa, a granada ficou presa ao drone e não explodiu, evitando uma tragédia imediata. Dois dias depois, o grupo retornou ao local com um segundo equipamento, tentando resgatar o primeiro drone utilizando uma corda e um gancho, mas essa ação também falhou, resultando na queda dos dois aparelhos próximos à casa do empresário.
O delegado Kleber Rodrigues, responsável pelo caso, destacou o perigo do artefato explosivo: "O que evitou uma tragédia maior foi uma falha técnica. Era um artefato de alto poder letal, capaz de matar qualquer pessoa num raio significativo". A polícia alertou que a explosão poderia ter atingido não apenas a família do empresário, mas também moradores vizinhos, ampliando o potencial de vítimas.
Dívida agrícola desencadeia escalada de ameaças
A investigação apurou que o empresário atua na produção agrícola em Itaberaí e adquiriu sementes de milho por meio de um intermediário. Após uma colheita abaixo do esperado, ele solicitou mais prazo para quitar a dívida, o que teria provocado uma escalada progressiva de ameaças. Inicialmente, as intimidações foram verbais e veladas, mas com o tempo se tornaram diretas e culminaram no atentado com explosivos.
Mesmo após as tentativas frustradas, os criminosos enviaram mensagens irônicas para a vítima, perguntando se ela "tinha gostado do presente" e afirmando que voltariam a atacar. A polícia informou que até o advogado do empresário, um ex-deputado estadual, também passou a ser ameaçado, demonstrando a audácia do grupo.
Grupo especializado em cobranças violentas é desarticulado
A Polícia Civil identificou que o grupo é originário de Primavera do Leste, no Mato Grosso, e atua em várias regiões do país com extorsões e cobranças violentas. Para dificultar a identificação, os suspeitos adotaram estratégias sofisticadas, incluindo:
- Uso de perfis falsos em redes sociais com imagens geradas por inteligência artificial
- Números de telefone registrados em CPFs de terceiros
- Deslocamento por diversos estados para intimidar vítimas sem revelar a própria identidade
Segundo o delegado adjunto da Deic, Samuel Moura, o grupo percorria diferentes localidades adotando táticas elaboradas para manter o anonimato durante suas atividades criminosas.
Prisões antecipadas e apreensão de armamento de guerra
As prisões ocorreram no Mato Grosso e foram antecipadas devido ao risco iminente de um novo ataque. Dois suspeitos foram detidos dentro de um veículo e o terceiro em Primavera do Leste. A investigação revelou que o armamento tem origem suspeita no Paraguai e é classificado como granada fragmentária, considerada armamento de guerra com uso proibido no Brasil.
A Polícia Civil acredita que os presos atuavam como executores da cobrança e que há um mandante por trás do crime. As investigações agora buscam identificar quem seria o verdadeiro credor da dívida e se outras pessoas participaram do planejamento do atentado.
Os suspeitos vão responder por tentativa de homicídio qualificado, extorsão qualificada e posse de artefato explosivo de uso restrito, em um caso que expõe a crescente sofisticação da criminalidade no agronegócio brasileiro.



