Disputa por terreno termina em morte e expõe conflito familiar no interior de Minas Gerais
Um homem de 57 anos morreu após ser baleado em um sítio na comunidade de Ouro Verde, na zona rural de São João Evangelista, no Leste de Minas Gerais, na manhã desta sexta-feira (3). Segundo a Polícia Militar, o crime está diretamente relacionado a uma disputa judicial por um terreno que vinha gerando ameaças, conflitos familiares e desentendimentos há vários meses.
Vítima socorrida não resiste aos ferimentos
De acordo com informações da polícia, Adair Felix de Sousa chegou a ser socorrido e levado para um hospital da região, mas não resistiu aos graves ferimentos causados pelos tiros. A esposa da vítima relatou à polícia que o casal morava no Espírito Santo e havia retornado à cidade para adquirir um terreno que pertencia ao pai dela.
O problema começou quando descobriram que o imóvel já havia sido negociado anteriormente com outro homem, que, segundo a família, não teria quitado o valor combinado na transação. Diante dessa situação, o proprietário decidiu refazer a negociação e transferir legalmente o terreno para a filha e o genro.
Processo judicial e ameaças de morte
Como o primeiro comprador não formalizou a devolução do imóvel, o caso foi parar na Justiça, e um juiz autorizou a transferência dos direitos para a vítima. No entanto, segundo o relato da esposa, o antigo comprador não aceitou deixar o local e passou a fazer ameaças explícitas, afirmando que o homem "sairia dali vivo ou morto".
A disputa não se limitava apenas à posse do terreno. A esposa contou à polícia que havia também desentendimentos graves com familiares por causa do uso da água de um córrego que corta a propriedade. Segundo seu depoimento, o marido havia improvisado uma estrutura com manilhas para acessar parte do terreno onde pretendia plantar café.
Conflitos ampliados e ameaças por telefone
A intervenção no córrego teria motivado denúncias e ampliado significativamente os conflitos com parentes vizinhos. A mulher relatou ainda que o companheiro já havia recebido ameaças por telefone anteriormente. O celular da vítima, onde estariam possíveis registros dessas mensagens ameaçadoras, não foi localizado pelas autoridades policiais.
Detalhes do crime e fuga dos suspeitos
No dia do crime, a esposa contou ter ouvido claramente três disparos de arma de fogo. Ao olhar pela janela, viu dois homens em uma motocicleta passando pelo local logo após os tiros. Ela também relatou que uma caminhonete, supostamente ligada a familiares do antigo comprador, passou em alta velocidade pela região no mesmo momento.
A vítima foi encontrada caída por um morador que passava pela estrada e foi levada ao hospital por um parente, mas não conseguiu identificar os autores do ataque antes de falecer. A Polícia Militar informou que pessoas citadas nos relatos foram localizadas e ouvidas, mas todas negaram qualquer envolvimento no crime.
Investigações em andamento
Buscas minuciosas foram realizadas em propriedades da região, sem que materiais ilícitos ou evidências conclusivas fossem encontradas. Como não houve flagrante do crime, ninguém foi preso até o momento. O caso foi registrado oficialmente como homicídio e será investigado detalhadamente pela Polícia Civil, que vai apurar a autoria e todas as circunstâncias do crime.
A polícia continua coletando depoimentos e analisando as relações familiares conflituosas que envolvem a disputa pelo terreno e os direitos sobre a água do córrego, elementos centrais que podem ter motivado o crime violento.



